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Candidato da UNITA defende combate à corrupção

O candidato da UNITA a Presidente da República prometeu ontem, no Lubango, o combate à corrupção, se for eleito nas eleições gerais de 23 de Agosto.

Isaías Samakuva, que falava num acto político de massas, marcado por um atraso de três horas, apresentou aos militantes algumas ideias inscritas no programa de “Governo Inclusivo e Participativo (GIP)” a ser materializado, caso o maior partido na oposição vença as eleições.
Durante a sua intervenção de quase duas horas e marcada por duras críticas ao Governo do MPLA, o cabeça de lista da UNITA defendeu que o combate à corrupção passa por uma reforma profunda do sistema de justiça, para “torná-lo independente do Poder Executivo”.
No futuro governo da UNITA, disse, o combate à corrupção vai responsabilizar ministros, governadores e outros dirigentes, caso for provada a sua implicação em actos de subornos e de desvios de fundos públicos.
Segundo ainda Isaías Samakuva, o seu partido quer instalar em Angola um governo dialogante, inclusivo, participativo e aberto ao questionamento e fiscalização do povo, a quem vai prestar contas sobre a governação e a aplicação dos recursos do Estado.
Isaías Samakuva comparou Angola a uma loja, defendendo mais adiante, que o país precisa de “mudanças para substituir o actual gerente”, que, na sua óptica, provocou a falência e a crise.
O presidente da UNITA também prometeu melhorar o sistema de saúde, com a construção de hospitais, e as condições de habitabilidade da população, com o envolvimento de quadros nacionais, no sentido de garantir mais empregos.
“Alguém me pergunta onde vou tirar o dinheiro? Como vou fazer para criar o emprego? Quem faz estas perguntas não conhece o país. Há muito dinheiro aqui. Há muitas oportunidades de emprego aqui. Ao invés de buscar chineses, vamos envolver os angolanos nestas tarefas, porque somos capazes”, afirmou Samakuva.

Educação é prioridade


O presidente da UNITA sublinhou que o sector da educação e ensino estará no centro das prioridades de um eventual governo do seu partido. Samakuva considera a formação de quadros como prioritária e estratégica, por ser transversal, e por ser dela de que depende o desenvolvimento socioeconómico e a qualidade de vida dos cidadãos.
O político disse ser preciso projectar o país para o futuro e desenvolver vários programas de recuperação socioeconómica de outros sectores. Afirmou que Angola será um país melhor com a materialização do programa da UNITA, denominado “Agenda 2030”.
Ainda relativamente à Educação, Samakuva defendeu um ensino de qualidade para que o produto da formação académica e universitária seja de facto útil, na solução de problemas sociais.
Para o candidato do maior partido da oposição, a economia e outros sectores “só crescem se houver economistas bem formados e saúde com médicos e enfermeiros altamente qualificados”. “É preciso mais investimentos no sector da Educação e do ensino. A nossa ideia estratégica começa mesmo por ali. Alguns pensam o contrário; que haja dinheiro primeiro para desenvolver o país. (Mas nós consideramos que), mesmo que tivermos muito dinheiro, como é o caso de Angola, se a educação for débil, as crises vão repetir-se”, argumentou.

Tolerância nas eleições


O líder da UNITA apelou à tolerância, antes, durante e depois das eleições de 23 de Agosto. Defendeu, no entanto, que eleições livres e justas passam pelo cumprimento escrupuloso da Lei por parte das instituições vocacionadas à organização do processo eleitoral.
“Para termos eleições livres e justas temos de ter um clima de tranquilidade. O clima de tranquilidade não vem por si só. É preciso que todos os actores envolvidos se comportem de forma a consolidar esta tranquilidade”, defendeu Isaías Samakuva, para quem “tudo passa pela forma como se conduz o processo eleitoral”.
Samakuva apelou à população para que aceite conviver na diferença, porque é impossível que todos pensem da mesma forma. Pelo contrário, o candidato da UNITA sublinhou que “é na diversidade de pensamento e de ideias que a sociedade se fortalece”. Ainda ontem, o presidente da UNITA teve um encontro com estudantes universitários da província da Huíla. Para hoje tem previsto um encontro empresários locais, devendo regressar a Luanda no período da noite.