Política

Combate ao crime urbano tem apoio do Brasil

Os domínios da segurança e do investimento privado devem marcar, nos próximos tempos, a nova agenda das relações bilaterais entre Angola e o Brasil, que pretendem dar um novo “fôlego” à cooperação, com a assinatura de vários acordos.

“Falamos da necessária e excelente cooperação no sector da segurança, combate à criminalidade e combate ao narcotráfico. Acabamos de assinar um acordo nessa área e estamos muito animados e desejosos de implementar esse acordo”, disse o ministro de Estado das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, à saída da audiência que lhe foi concedida pelo Presidente João Lourenço.

O chefe da diplomacia brasileira, que está em Luanda desde quarta-feira, entregou uma carta convite do Presidente Jair Bolsonaro ao Chefe de Estado angolano para uma visita de Estado ao Brasil, em breve.
O acerto das agendas, de parte a parte, vai definir a data para a visita, cujo objectivo é relançar as relações bilaterais.
Em declarações à imprensa, no Palácio Presidencial, Ernesto Araújo considerou a visita, a ser feita por João Lourenço ao Brasil, um momento de consolidação de uma nova relação entre os dois países. “Temos uma relação bilateral antiga, mas estamos num momento em que ela precisa ser reinventada, reestruturada e passar para um patamar mais elevado, a partir da prioridade dos dois países”, disse.
Durante o encontro, o Chefe de Estado angolano e o ministro das Relações Exteriores do Brasil falaram da necessidade de participação recíproca no processo de desenvolvimento dos dois países.
O ministro brasileiro lembrou que o Brasil deseja participar mais no desenvolvimento de Angola, principalmente, por via do investimento privado, que deve abrir novas frentes nos mais diversos sectores.
Ernesto Araújo disse ter abordado com João Lourenço questões relacionadas com a situação dos respectivos blocos regionais e da necessidade de se assumir uma coordenação em organismos multilaterais no que respeita ao ambiente e direitos humanos.
Na parte ambiental, disse, o Brasil tem sofrido várias críticas, havendo, inclusive, uma percepção de que muitos países são afectados por este tipo de injustiça. Quanto à relação com Angola, Ernesto Araújo lembrou que a visita a Luanda representa, não só o reafirmar da cooperação, mas trazer, também, uma visão nova nas relações com África, especialmente com Angola.
O que se pretende, sublinhou, é elevar a cooperação para um nível mais produtivo, assente numa estrutura de comércio com vantagens recíprocas. “Conversei muito sobre questões ligadas ao reforço da cooperação Brasil e África no périplo que estou a fazer em países como Cabo Verde, Senegal, Nigéria e, agora, Angola, que é um parceiro fundamental, neste nosso esforço”, disse o ministro brasileiro.
O ministro considerou que o continente africano continua a ser uma prioridade absoluta nas relações com o Brasil, contrariando afirmações segundo as quais Brasília estaria apenas com os olhos voltados para os Estados Unidos da América e menos com África, Europa e até América do Sul.

Assinado acordo no domínio da Ordem Interna

Um acordo de cooperação em matéria de Segurança e Ordem Interna entre Angola e o Brasil foi rubricado ontem, em Luanda, pelos ministros do Interior, Eugénio Laborinho, e das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo.
O acto, que decorreu no edifício do Ministério das Relações Exteriores, foi testemunhado pelo ministro Manuel Augusto, que considerou as relações entre os dois Estados como “indissolúveis”, obrigando-os a trabalhar sempre no sentido do seu reforço.
O ministro de Estado das Relações Exteriores do Brasil enalteceu a amizade tradicional existente entre os dois Estados. Informou que o documento assinado formaliza o protocolo de formação de quadros para o combate à criminalidade e a intensificação das relações conjuntas em matérias de defesa.
O memorando, disse, visa ainda a troca de informações sobre a criminalidade transnacional, além de transmitir a experiência brasileira no combate ao crime urbano que, acrescentou, no Brasil, reduziu, no último ano, para 20 por cento.
Angola e Brasil estabeleceram relações diplomáticas a 12 de Novembro de 1975. O Brasil foi o primeiro país a reconhecer a Independência de Angola, a 11 de Novembro de 1975.
Cinco anos depois, em 1980, os dois países assinaram o Acordo Geral de Cooperação Económica, Técnico- Científica e Cultural, instrumento que constitui a base fundamental para o desenvolvimento da cooperação bilateral. Em 2010, assinaram o acordo de parceria estratégica.