Política

Famílias em casebres aguardam os recenseadores

As famílias que vivem em casebres na chamada Floresta de Benfica, na zona do antigo controlo da Polícia, aguardam a visita dos recenseadores. Os moradores receiam ficar de fora do processo que decorre há duas semanas em todo o país e que termina no próximo sábado.

O morador Gilberto de Mários vive com a família há quase 20 anos naquela zona de Benfica e está preparado para receber os agentes do Censo. “Penso que a nossa área ainda não foi identificada. Nem o selo amarelo, que indica casas não recenseadas, temos nas nossas portas”, disse.
A zona dos “patos”, em Benfica, é pouco habitada. Não existem mais de dez famílias a viver na praia e em casebres de chapas, sem energia eléctrica, nem água potável. Trata-se de uma área ocupada ilegalmente.
Gilberto Mários vive com a esposa, filhos, irmãos e a sogra. Todos estão dispostos a colaborar com os agentes censitários. 
O morador Domingos Frutuoso confessou que a casa que tem na praia de Benfica é para guardar os apetrechos da pesca. Já foi recenseado no bairro onde mora com a família. O velho pescador, mas com muita “garra”, disse que recebeu com agrado os agentes em sua casa no Bairro das Salinas, Benfica. E apesar disso não vai deixar de recebê-los na praia e dar as informações necessárias.
Domingos Frutuoso refugia-se no casebre da praia com a sua família quando vai pescar. O espaço tem um armazém e um tambor onde salga o peixe, um depósito onde conserva o peixe seco e um quarto onde dorme toda a família. O casebre é pequeno, coberto de chapas e trapos, mas representa muito na vida do pescador e é fundamental para o sustento da família.

Mau humor na Samba

A reportagem do Jornal de Angola cruzou com dois agentes censitários que acabavam de sair de um quintal, na Rua Sunset, Samba, onde uma moradora "atacava" a equipa com palavras desagradáveis. “A colaboração está difícil, disse a recenseadora. A moradora recusa-se a colaborar, mesmo com a sensibilização da vizinha ao lado que já recebeu dois agentes”.
Sem grandes opções, o supervisor que acompanhava a recenseadora, Isabel Miguel, pediu a ajuda da reportagem para sensibilizar a moradora mal-humorada. Mas, não se deu por convencida para no final dizer que é apenas a irmã da dona de casa que está ausente. Os recenseadores vão regressar.
Do Morro da Samba até a Escola Heróis de Cangamba, muitas casas já foram recenseadas. Numa escala de 100, 97 já está concluída. Um recenseador informou que o Morro da Samba já está recenseado e foi um processo sem dificuldades. Os próprios moradores iam atrás dos agentes censitários. Foi mais fácil do que se imaginava.

Bié está no fim


Os agentes do Recenseamento Geral da População e Habitação registaram no Andulo 15 mil residências nos últimos dias,informou o coordenador do gabinete técnico municipal, Jerónimo Chivala. Garantiu que pelo menos 97 por cento da população do município do Andulo já foi recenseada. Jerónimo Chivala considerou a operação “um verdadeiro sucesso”. Referiu que as comunas do Andulo e e de Calussinga lideram o processo.
O administrador municipal do Andulo reconheceu o empenho dos agentes do Censo. Moisés Américo Cachipaco teve ontem um encontro com responsáveis dos grupos técnicos municipais e comunais do Censo, com os quais trocou impressões sobre o andamento do processo.

Comuna de Camissombo


A equipa técnica colocada na comuna do Camissombo, situada a norte do município do Lucapa, com uma extensão territorial de 1.080 quilómetros quadrados, dividida em seis aldeias, conseguiu recensear até no sétimo dia do processo 5.075 pessoas.
De acordo com um documento apresentado pelo Assistente Técnico Comunal do Camissombo, Fernando Muiocoto, o número é o resultado das entrevistas a 1.015 chefes de agregado familiar e em 1.444 habitações. O responsável disse que os recenseadores têm feito tudo para recolherem os dados com precisão e credibilidade. Fernando Muiocoto enalteceu a colaboração das populações em facilitar o trabalho dos recenseadores.
As localidades de difícil acesso do município do Cuango, como o posto fronteiriço do Lola e a aldeia do Coquidia Ngundo, já contam com o apoio de um helicóptero para o transporte dos recenseadores.
O coordenador do Gabinete Técnico municipal do Censo, André Camoxi, apelou ao governo provincial e à administração municipal para a criação de condições que permitam fornecer, a tempo e horas, as merendas aos membros das Equipas Técnicas Comunais (ETC) e aos Assistentes Técnicos Locais (ATL) a tempo e horas.

Famílias em Cambulo


No município do Cambulo, Lunda Norte, o Censo decorre sem sobressaltos, com as famílias a colaborarem com os agentes censitários, segundo o coordenador municipal do Gabinete do Grupo Técnico. Vitorino Paulo explicou que foram já recenseados 28 mil agregados familiares e 26 mil habitações nas zonas urbanas e rural e notou que os números ultrapassaram as expectativas naquela circunscrição. O trabalho de contagem das pessoas e habitações, explicou Vitorino Paulo, é assegurado por 340 recenseadores e 77 supervisores.
A vice-governadora da Lunda Norte, Deolinda Vilarinho, visitou a localidade do Cossa, 35 quilómetros da sede municipal do Cambulo, para avaliar o processo de recenseamento e garantiu todo o apoio das autoridades. Nesta localidade foram registadas 300 habitações. A quantidade, qualidade e fiabilidade das informações recolhidas “permitem concluir que as populações estão a facilitar a execução da maior operação estatística no país”, disse a vice-governadora.

Apelo de Ernesto Muangala

O governador provincial da Lunda-Norte, Ernesto Muangala, apelou, no município do Lucapa, para o empenho e dedicação dos recenseadores durante o processo de Recenseamento Geral da População e da Habitação.
Ernesto Muangala falava no final de visitas de observação dos trabalhos do censo nos municípios do Xá-Muteba, Cuango e Lucapa. “Todos os constrangimentos já foram ultrapassados, tendo em conta o atraso dos meios de recenseamento, a distribuição das merendas e os meios de locomoção para as zonas de difícil acesso, com a disponibilização de dois helicóptero”, esclareceu.

Indicadores do Andulo


Pelo menos 97 por cento da população do município do Andulo, província do Bié, já foi recenseada, revelou ao Jornal de Angola o coordenador do Gabinete Técnico Municipal, Jerónimo Chivala.
Jerónimo Chivala considerou a operação “um verdadeiro sucesso” e disse estarem já cobertas 15 mil residências, entre habitadas e desabitadas, destacando a comuna de Calucinga. Num encontro com os responsáveis dos grupos técnicos, o administrador municipal do Andulo, Moíses Cachipaco, elogiou o empenho “patriótico e despido de interesse económico” dos agentes do Censo.