Política

Linha de denúncias da IGAE recebe cerca de 700 chamadas

A Inspecção Geral da Administração do Estado (IGAE) registou, entre Agosto e Dezembro do ano passado, 112 casos de mau atendimento público, 69 de corrupção, 38 de extorsão e 12 crimes de peculato, números que podem ser aumentados com a apresentação, ontem, em Luanda, do primeiro serviço de chamadas grátis para a denúncia de actos ilícitos e reclamações dos cidadãos.

A informação foi avançada pelo inspector-geral adjunto da IGAE, Eduardo Semente, depois da apresentação do serviço que responde pelo número telefónico 119. Todos os casos atrás referidos, disse, resultaram em 29 detenções. 

Eduardo Semente disse que o novo call center, que só ontem atendeu 681 chamadas, dinamiza e torna as acções do Executivo e dos seus agentes cada vez mais escrutinadas. O responsável explicou que o novo serviço de chamadas tem uma valência que permite, automaticamente, fazer o reencaminhamento da chamada para o 111.
Esclareceu que a IGAE saiu do serviço de duas linhas para um serviço de 16 linhas multidimensionais. O anterior serviço, explicou Eduardo Semente, não permitia o reencaminhamento das chamadas e, além disso, implicava custos aos usuários.
O ministro das Telecomunicações e Tecnologias de Informação, José Carvalho da Rocha, disse que o Ministério está a apoiar a IGAE na implementação do call center, modernizando-o, de modo a que a interacção com os cidadãos seja maior.
O serviço vai servir a IGAE e os cidadãos e permitir uma interacção permanente que essa instituição precisa de ter com a população, disse José Carvalho da Rocha. A sincronização com outros serviços, acrescentou, vai torná-los céleres, pois nalguns casos precisará de respostas policiais que deverão ser cruzadas com o Serviço de Investigação Criminal (SIC).
Por sua vez, o ministro do Interior, Eugénio Laborinho, sublinhou que o novo sistema modernizado do call center da IGAE vai garantir um número maior de denúncias e qualidade no tratamento das mesmas, face à tecnologia investida.
Eugénio Laborinho, que discursava na abertura de uma palestra alusiva ao 28º aniversário da IGAE, assinalado no dia 17 deste mês, disse que o Centro Integrado de Segurança Pública poderá trabalhar em conexão com o call center, acedendo directamente e dando tratamento às denúncias que suscitarem a intervenção imediata dos órgãos policiais.
O ministro Eugénio Laborinho lembrou que é tarefa primordial da Inspecção Geral do Estado combater os males que ainda enfermam os processos de gestão e administração dos órgãos e serviços públicos.
O combate à corrupção, disse, é uma tarefa ingente que deve engajar a sociedade angolana no seu todo. Porém, defendeu que os órgãos do Estado com competências específicas para o efeito devem posicionar-se na linha da frente e empregar todos os esforços possíveis para se debelar outros males que enfermam a administração pública em geral.

Combate à extorsão
No discurso de encerramento da palestra, o inspector-geral da Administração do Estado, Sebastião Nguza, defendeu a erradicação do mau atendimento e a extorsão frequente reveladas pelas instituições quando são solicitados pelos cidadãos.
Como exemplo de mau atendimento nas instituições do Estado, Sebastião Ngunza apontou o pagamento para o registo de um recém-nascido, nas conservatórias, bem como os actos médicos nos hospitais públicos.