Política

Presidente da República chega hoje à Lunda-Norte

O Presidente da República, João Lourenço, inicia hoje uma visita de dois dias à província da Lunda-Norte, du-rante a qual constata diversos empreendimentos produtivos e sociais.

Segundo uma nota da Casa Civil do Presidente da República citada pela Angop, o Chefe de Estado dirige, amanhã, os trabalhos da Comissão Económica do Conselho de Ministros.
A visita do Presidente João Lourenço à Lunda-Norte será, também, uma oportunidade para trabalhar com os governadores da região leste do país, nomeadamente da Lunda-Norte, Lunda-Sul e Moxico, para uma avaliação global da situação actual.
Os problemas económicos e sociais da Lunda-Norte são enormes e a visita do Chefe de Estado constitui uma gran-de oportunidade para a população manifestar o desejo de ver concretizadas as acções que visam assegurar, no futuro próximo, melhores condições de vida à população, com destaque para a qualidade de ensino, assistência sanitária humanizada e mais abrangente e, sobretudo, programas sustentáveis que garantam emprego aos jovens.
A reportagem do Jornal de Angola ouviu citadinos do Dundo e a sua maioria aponta para a necessidade de se abordar com realismo e seriedade os problemas económicos da província, fundamentalmente a viabilidade dos projectos ligados à construção de infra-estruturas escolares, hospitais e o reforço da capacidade técnica e de assistência médica e medicamentosa.
O aumento dos níveis de produção e distribuição de água potável e energia eléctrica são, também, preocupações que a população da cidade do Dundo, capital da província da Lunda-Norte. espera ver resolvidas.
Julião Matuca, funcionário público e residente no bairro Satxidongo, disse não compreender que só em vésperas da visita do Presidente da Republica é que se está a assegurar energia eléctrica aos bairros da periferia da cidade, depois de quase três meses sem esse serviço. O funcionário criticou o silêncio das empresas Prodel e Ende.
Augusto Tchicolassonhi, também funcionário público, residente no bairro Camatundo, reclamou a falta de água potável, não só no bairro em que reside, mas também em várias zonas da periferia da cidade do Dundo. Ele é de opinião que o aumento dos níveis de malária e doenças diarreicas nas unidades sanitárias da cidade do Dundo é consequência do consumo de águas impróprias.
Alzira Ilamiquiza, estudante, quer ver resolvida a questão do aumento das salas de aulas no ensino geral. Ela faz parte de centenas de estudantes que perderam o ano lectivo por falta de vagas nas instituições do ensino médio.
João Massaco, outro interlocutor, é um homem dedicado ao campo. Disse com tristeza ter perdido um membro de família por ineficiência e falta de humanismo nos hospitais públicos. “Ficamos muito tempo no hospital do Dundo para sermos atendidos e quando o enfermeiro observou a minha filha disse-nos que não tinham medicamentos para prestar os primeiros socorros”, lamentou o ancião, que espera que o Presidente da Republica corrija todos estes males que enfermam a sociedade angolana.
A Lunda-Norte é a terceira maior província de Angola em termos territoriais, com uma extensão de 103.760 quilómetros quadrados e uma população estimada em 862.566 habitantes.

A realidade da província
Na Lunda-Norte, há a realçar os esforços que as autoridades locais têm vindo a fazer, nos últimos dez anos, para criar condições sociais que permitam a população se sentir orgulhosa de ser detentora de uma terra rica em minerais, como o diamante, um potencial hídrico que permite desenvolver e expandir a actividade agrícola e, principalmente, o investimento humano reflectido pela expansão do ensino superior a nível da região.
A Escola Superior Pedagógica da Lunda-Norte, construída de raiz e que entrou em funcionamento em 2004, foi o grande passo para a institucionalização do ensino superior na região.
Os investimentos realizados mereceram aplausos e a província ganhou, em 2009, a sede da reitoria da Universidade Lueji Ankonde, que inclui as províncias da Lunda Sul e Malanje. A província da Lunda-Norte conta com 725 técnicos superiores licenciados em pedagogia, 27 em economia e 47 em direito, nos últimos seis anos.
O investimento humano, segundo analistas locais, representa uma das maiores apostas do governo provincial, por garantir formação académica e profissional aos jovens.