Política

Ramalho Eanes realça clarividência de Agostinho Neto

O antigo Presidente da República Portuguesa, António Ramalho Eanes, destacou a figura e clarividência do primeiro Chefe de Estado angolano, António Agostinho Neto, considerando que “grandes foram os seus talentos de espírito e as qualidades de temperamento”.

O reconhecimento de Ramalho Eanes, Presidente da República Portuguesa entre 1976 e 1986, foi feito através de um vídeo divulgado, ontem, em Luanda, numa cerimónia em que foi distinguido com a “Ordem Sagrada Esperança”, a mais alta da Fundação António Agostinho Neto (FAAN). No vídeo, o antigo Chefe de Estado português afirma ainda que Agostinho Neto foi “uma personalidade forte”.
Ramalho Eanes esteve ausente na cerimónia por motivos de saúde. A distinção foi recebida por um sobrinho. Além de Ramalho Eanes, a FAAN conferiu ontem a “Ordem Sagrada Esperança” a entidades nacionais, nomeadamente aos nacionalistas Lopo do Nascimento, Lúcio Lara, Ambrósio Lukoki, Henriques Teles Carreira “Iko” , David Moisés “Ndozi” e João Luís Neto “Xietu”. Lúcio Lara e Ambrósio Lukoki foram galardoados a título póstumo, assim como “Iko” Carreira e “Ndozi”.
Lopo do Nascimento desempenhou, entre outros cargos, o de primeiro-ministro do Governo angolano pós independência nacional, alcançada a 11 de Novembro de 1975, e suspendeu, por iniciativa própria, as funções de deputado à Assembleia Nacional, em 2014.
Em declarações à imprensa, depois de receber a distinção, Lopo do Nascimento congratulou-se com a homenagem, referindo que outras figuras anónimas devem rever-se na sua condecoração.
Lúcio Lara, militante preponderante da direcção do MPLA, foi um pan-africanista, natural do Bailundo, província do Huambo.
No caso de Ambrósio Lukoki, atribuíram-lhe a Ordem pelo seu desempenho enquanto nacionalista, diplomata que exerceu tais funções na França e Tanzânia, e o primeiro ministro da Educação de Angola.
Outro galardoado, Henriques Teles Carreira “Iko”, natural de Quibala (Cuanza- Sul), foi o primeiro ministro da Defesa de Angola, e João Luís Neto “Xietu”, o primeiro chefe do Estado-Maior General das extintas Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA, 1975-81).
Na ocasião, Maria Eugénia Neto, viúva de Neto, destacou o percurso e as peripécias sofridas com o marido, vindos de Portugal para África, para continuar a luta de libertação nacional.