Política

Sul-africanos tombados em Angola são honrados

A África do Sul pretende homenagear os seus combatentes falecidos em território angolano, no período de 1976 a 1990, com a construção em Viana, Luanda, de um monumento. A questão esteve em abordagem ontem, em Luanda, durante a audiência que o Presidente da República, João Lourenço, concedeu ao embaixador sul-africano em Angola, Fannie Mfana Phakola.

O diplomata, que apresentou cumprimentos de despedida ao Chefe de Estado angolano, depois de três anos em Angola, lembrou que Viana foi um centro privilegiado de trânsito da maioria de sul-africanos que passava por Angola.

“Há vontade expressa para erguê-lo, mas não existem datas para o arranque das obras”, disse, para sublinhar que o local ainda está por identificar. “Na verdade, ainda não existem datas estabelecidas, porque o projecto está num processo preparatório”, acrescentou.
Fannie Mfana Phakola lembrou que o braço armado do ANC teve as suas bases de formação e treinamento em Angola e que existe uma lista enorme de compatriotas seus que pereceram em Angola. “Naturalmente, seria difícil conseguir repatriar os restos mortais destes para a África do Sul. Queremos construir, em Viana, um monumento que sirva para homenagear todos quantos morreram em Angola, que abranja combatentes tombados na linha que vai desde Caculama, Malanje, até à zona Norte, Quibaxe e Porto Quipiri, no Bengo.
“Temos muitas pessoas que faleceram nesta linha e alguns em emboscadas, outros por doença como malária, e ainda outros por acidente. É preciso não esquecê-los”, rematou o diplomata.
O diplomata informou que a ideia de se construir o monumento começou em 1994 e que sempre houve este compromisso. Fannie Phakola disse que a concretização requer apoio do Governo angolano que sempre deu.
Angola e África do Sul assinaram, em 2017, um acordo recíproco de supressão de vistos em passaportes ordinários, que entrou em vigor na primeira quinzena de Dezembro. Com este passo, abrem-se possibilidades para promover investimentos nos sectores do Comércio, Minas, Agricultura, Florestas, Pescas, Educação, Água e Saúde.
Acreditado em Fevereiro de 2016, Fannie Mfana Phakola já tinha exercido vários cargos em Angola, entre 1987 e 1994, pelo Congresso Nacional Africano (ANC). Chegou a Luanda, pela primeira vez, aos 22 anos, em 1983.

Cooperação económica
Angola e África do Sul vão imprimir maior dinâmica às relações económicas, segundo o embaixador Fannie Mfana Phakola, que anunciou a disseminação de escritórios da Câmara de Comércio e Indústria dos dois países nas províncias e municípios.
Para o embaixador, o fundamental é alinhar-se às políticas do Executivo angolano que quer estender o desenvolvimento para outras regiões do país e não apenas na capital, Luanda.
“Queremos que a câmara esteja baseada nos municípios e províncias. É este o verdadeiro objectivo. Estamos a fazer com que essa câmara possa, em breve, ter representações nas províncias”, avançou o embaixador sul-africano.
Para Fannie Mfana Phakola, o ideal é inverter-se a actual tendência de investimento, concentrado apenas em Luanda. Depois de três anos de mandato, o diplomata disse que vai continuar comprometido em trazer mais empresários sul-africanos à Angola, para promover o investimento privado estrangeiro nos mais diversos domínios da economia nacional. “Temos de fazer com que o investimento seja descentralizado e que seja canalizado também e, em grande medida, para as províncias”, referiu, lembrando que a actividade da Câmara está representada em cinco províncias angolanas.
Da parte angolana, cinco empresas estão representadas em cidades sul-africanas: Cidade do Cabo, Port Elizabeth, Durban, Joanesburgo e Pretória. O objectivo, explicou o diplomata, é atrair mais investidores sul-africanos para Angola.
O diplomata lembrou ainda a evolução da Câmara de Comércio e Indústria Angola e África do Sul, que começou com dez empresas de grande dimensão e hoje conta com 50. “A Câmara quer continuar a impulsionar os investimentos de empresários dos dois países. O mais importante é que consigamos aproveitar o encontro para abordar a nossa relação económica”, disse o diplomata.
Angola e África do Sul são as maiores economias e potências militares na Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).
Os dois países têm como instrumentos jurídicos de trabalho um Acordo Geral de Cooperação Económica, Científica e Técnico-Cultural, assinado em Abril de 1998, e o Acordo para o Estabelecimento da Comissão de Cooperação Bilateral, rubricado em Novembro de 2000.
Entre 2003 e 2007, os dois países analisaram a cooperação institucional apenas duas vezes, a nível da Comissão Mista Bilateral.