Política

UNITA acusada de falsas promessas a ex-militares

O segundo-secretário do Comité Provincial do MPLA no Cuando Cubango, José Martins, denunciou a existência de elementos da UNITA que estão a cobrar três mil kwanzas a ex-militares com a promessa de serem inseridos na Caixa de Segurança Social das Forças Armadas Angolanas (FAA).

Durante um encontro de trabalho com os antigos guerrilheiros da luta contra o colonialismo português, realizado sábado passado, no município do Cuito Cuanavale, José Martins disse que as pessoas enganadas estão, também, a ser alistadas como militantes da UNITA, sem o seu consentimento, aproveitando-se da sua situação de vulnerabilidade.

José Martins realçou que alguns activistas da UNITA, juntamente com pensionistas das ex-FALA (antigo braço armado daquele partido), têm desencadeado acções de propaganda, alegando que a Caixa de Segurança Social das FAA pertence ao maior partido da oposição.
O político disse ter-se deslocado ao Cuito Cuanavale para esclarecer a população sobre o assunto, sobretudo aos pensionistas antigos combatentes que foram retirados do sistema de pagamentos por falta de alguns documentos que comprovam a sua idoneidade. Posto no local, sublinhou, deparou-se com a referida propaganda.
Na ocasião, José Martins terá alertado a população que a Caixa de Segurança Social das FAA é um órgão do Ministério da Defesa Nacional que está habilitado a atender exclusivamente os ex-militares graduados à categoria de oficiais. “O licenciamento dos efectivos para a Caixa de Segurança Social das FAA é da inteira responsabilidade do Ministério da Defesa Nacional, em coordenação com o Ministério dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria. Nenhum partido político, incluindo o MPLA, que governa actualmente Angola, tem poderes para o efeito”, esclareceu. O segundo-secretário do MPLA no Cuando Cubango disse que a UNITA e outros partidos políticos devem fazer a sua campanha política de angariação de novos militantes com civismo e respeitando as normas e não ludibriando a população com falsas promessas.

UNITA nega acusações
O secretário provincial adjunto da UNITA no Cuando Cubango, Joaquim Sapondo Nakatina Exinha, negou as acusações feitas pelo MPLA.
O também coordenador do “governo sombra” da UNITA no Cuando Cubango disse que o seu partido está a efectuar, em oito dos nove municípios da província (excepto o Cuito Cuanavale) o registo dos reformados, viúvas, ascendentes e órfãos dos ex-militares das FALA, com base na circular nº 2.789, do director-geral da Caixa de Segurança Social das FAA.
O político explicou que o processo de registo, iniciado no dia 3 do mês em curso, não abrange o município do Cuito Cuanavale, por falta de uma representação da UNITA na localidade. Joaquim Exinha disse ainda que o processo não abrange os cidadãos que prestaram serviço militar nas fileiras de outras forças políticas do país.

Delegado esclarece

Por seu turno, o delegado provincial da Caixa de Segurança Social das FAA no Cuando Cubango, Ayres Matias Tchilemo, disse que a instituição controla mais de 3.800 pensionistas na província, entre oficiais, órfãos, viúvas e descendentes de ex-militares.
Ayres Tchilemo esclareceu que a Caixa de Segurança Social não recebe processos individuais de ex-militares remetidos pelos partidos políticos, mas sim do Departamento Principal de Quadros e Pessoal do Estado-Maior das FAA. O responsável sublinhou que a inserção dos ex-militares obedece a “sérios requisitos”. Ayres Matias Tchilemo lembrou que a Caixa de Segurança Social das FAA congrega no seu seio ex-militares das FAPLA (antigo braço armado do Governo), FALA, ELNA e FLEC.