Artigo

Reportagem

Clientes fogem ao pagamento da luz eléctrica em Menongue

O chefe de departamento comercial da Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade no Cuando Cubango, Osvaldo de Lemos, disse que de Janeiro a Agosto do ano em curso, a ENDE arrecadou mais de 32 milhões de kwanzas, provenientes do pagamento de consumo de energia eléctrica.

O maior problema do não pagamento do consumo de energia eléctrica reside na cidade de Menongue, onde a ENDE controla 8.205 clientes registados, que por falta de contadores pré-pagos se furtam das suas obrigações mensais, que se cinge essencialmente na remuneração do consumo de energia eléctrica.
A par da cidade de Menongue, a ENDE controla actualmente 2.490 clientes no município do Cuito Cuanavale, 246 no Calai, 226 no Cuangar e 98 no Dirico, todos com sistema pré-pago, que permitem arrecadar mensalmente mais de 18 milhões de kwanzas.
Como causas do não pagamento do consumo de energia, constam o atraso de salários, identificação dos clientes por falta de cadastro dos bairros, ruas e residências, mau estado e vandalismo da rede de distribuição, dificuldades de pagamento de facturas por parte de alguns organismos do Estado e a falta de investimentos para a requalificação da rede, o que provoca ligações anárquicas e aumento de perdas comerciais, factores que transtornam o funcionamento da empresa.
O prejuízo que se tem registado mensalmente provoca a falta de arrecadação de receitas para os cofres do Estado, a requalificação e manutenção das redes de baixa e média tensão, bem como a melhoria da prestação de serviço para o benefício dos clientes assíduos.
Os clientes da periferia da cidade de Menongue são os que mais pagam regularmente as suas dívidas, ao contrário dos moradores do casco urbano que na sua maioria não cumprem com este compromisso.
Apesar da situação, o responsável da ENDE elogiou todos os clientes que têm a cultura de pagar regularmente a energia que consomem em suas casas e aos incumpridores pediu para pagarem as suas dívidas, para que a empresa consiga arrecadar mais receitas para os cofres do Estado e melhorar os serviços prestados à população.
“Os clientes com dívidas elevadas podem dirigir-se às nossas instalações e negociar o pagamento da mesma em prestações, ou seja, de acordo com as capacidades financeiras do devedor, porque entendemos que as preocupações são muitas e o dinheiro não cobre todas as necessidades”, disse.
O problema da falta de pagamento do consumo de energia eléctrica tem sido uma grande dor de cabeça para a Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade no Cuando Cubango, visto que os populares não se importam com as suas obrigações, mesmo quando se efectua um corte.

Dívidas avultadas


Osvaldo de Lemos disse que a ENDE controla no município de Menongue 8.205 clientes, dos quais 60 por cento não pagam o consumo de energia eléctrica, acumulando uma dívida de mais de 248 milhões de kwanzas, que perdura já há nove anos.
A maior parte da dívida foi contraída nos anos anteriores, durante a vigência da extinta Empresa Nacional de Electricidade (ENE), até a entrada em funções da ENDE.
Para colmatar está situação, a sua instituição vai levar a cabo um plano de acção que consiste na realização de campanhas de cobranças das facturas de consumo de energia nos bairros com maiores dívidas, envio de cartas aos grandes clientes e comunicados radiofónicos das facturas em cobranças.
Durante o ano 2016, a ENDE conseguiu arrecadar dos 11.020 clientes, que controlava a nível da província, 265 milhões de kwanzas, um valor que poderia crescer caso todos os consumidores cumprissem com o contrato de adesão, que se subescreve ao pagamento mensal do consumo de energia eléctrica.
 
Contadores pré-pagos

O chefe de departamento comercial da ENDE, Osvaldo de Lemos, disse que o mau estado da rede de distribuição de baixa e média tensão que não sofre manutenção desde 2009, constitui o maior constrangimento para a implementação de contadores pré-pagos na cidade de Menongue.
Os contadores pré-pagos são sensíveis e precisam de ser instalados numa rede de distribuição de energia eléctrica muito estável, ou seja, onde não haja restrições e cortes sistemáticos no fornecimento.
O fornecimento de energia eléctrica na província do Cuando Cubango, e em particular no município de Menongue, ainda deixa muito a desejar, tendo em vista que é preciso um aumento da capacidade para fazer face à solicitação da população.
Neste momento, as zonas mais críticas por falta do fornecimento de energia eléctrica são os bairros Social da Juventude, construído no quadro do programa Angola Jovem, Tucuve, Cuenha, Macueva, Paz, Novo, Cazenga, Missão Católica, Boa Vida, Boa Esperança e São José.
O fornecimento de corrente eléctrica à cidade de Menongue e arredores é assegurado por uma central térmica com capacidade instalada de dez megawatts, inaugurada no dia 07 de Janeiro de 2013 pelo titular do sector, João Baptista Borges, mas que, nos últimos tempos, se tem revelado incapaz para satisfazer a procura.

  Reforço do fornecimento de energia

O município de Menongue prevê ganhar nos próximos tempos uma nova central térmica, que terá uma turbina a gás com capacidade de 25 megawatts, no sentido de reforçar-se a capacidade do fornecimento de energia eléctrica na capital da província do Cuando Cubango e nos bairros periféricos.
Neste momento, decorrem as obras da construção da referida central térmica no bairro Macueva, junto às instalações da empresa Sonagás, local que o governo provincial  achou apropriado para permitir também a edificação de um ramal que vai abastecer directamente a turbina a gás.
A turbina a gás de 25 megawatts encontra-se neste momento no Porto do Lobito e só deverá chegar à cidade de Menongue quando for concluída a construção da base onde vai ser instalada. Com a conclusão da nova central térmica de turbina, a capital da província do Cuando Cubango vai contar com uma produção de energia eléctrica de 35 megawatts que vão permitir, significativamente, o acesso deste serviço à população, principalmente daquela que vive nos bairros periféricos.
Os citadinos de Menongue aguardam com muita ansiedade a entrada em funcionamento da nova central térmica, tendo em vista que a mesma vai acabar com as restrições e a fraca capacidade do fornecimento de energia eléctrica que actualmente se regista na cidade de Menongue.
Domingas João, moradora do bairro Benfica, arredores da cidade de Menongue, disse que a construção da nova central térmica constitui uma mais-valia.