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Reportagem

Combate à corrupção é uma tarefa de todos

O combate à corrupção declarado pelo novo Executivo constitui uma tarefa transversal e que deve envolver todos os angolanos, afirmou o bispo da Diocese de Mbanza Kongo, Dom Vicente Carlos Kiaziku, durante a cerimónia de apresentação pública do governador do Zaire, Joanes André.    

O prelado católico, que procedeu à leitura da mensagem da sociedade civil, reconheceu não ser uma tarefa fácil, mas não impossível, sendo que o seu combate vai depender do espírito, ânimo e da mentalidade de cada um dos angolanos.
Dom Vicente Carlos Kiaziku instou o governador do Zaire a ser o responsável máximo de todas as lutas e desafios futuros, ao mesmo tempo que lhe desejou coragem, força e determinação, para iniciar e prosseguir com o combate à corrupção nesta parcela do território nacional.
“Não olhe para a cara de ninguém e prossiga com firmeza, cumprindo com as ordens dos seus superiores hierárquicos, a partir do Presidente da República, João Lourenço, que fez do combate à corrupção uma das bandeiras da sua campanha eleitoral”, disse Kiaziku que encorajou ainda o governador a mudar pessoas que vivem de renda e são históricos, porque deram o que deviam dar.
Efusivamente aplaudido no termo da sua intervenção, Vicente Kiaziku sustentou a ideia, citando uma nota pastoral dos bispos da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), sobre o momento actual da nação, segundo a qual “a crise económica e financeira em que o país se encontra mergulhada, não se deve apenas à queda do preço do petróleo, mas igualmente à falta de ética, má gestão do erário público, corrupção generalizada, mentalidade de compadrio, nepotismo, bem como a discriminação derivada da partidarização crescente da função pública, que sacrifica a competência e o mérito.”
Na nota, disse, os bispos da CEAST pediram aos governantes e funcionários públicos que façam a gestão da coisa pública com competência, sentido de justiça, de missão, transparência, honestidade e compromisso com a nação.
O responsável da Igreja Católica no Zaire não deixou de desejar ao governador reconduzido bom regresso à província. “Seja bem-vindo à sua província, a esta sua casa, cujos meandros bem conhece, depois de ter trabalhado nela no passado mandato”, disse com emoção, afirmando mais adiante que este factor vai facilitar o seu trabalho, na medida em que já conhece as pessoas e quadros com quem pode contar, para continuar a trabalhar com afinco e propriedade. O prelado católico avançou que todos os factores mencionados são vantajosos para a governação de Joanes André, a quem alertou que o presente mandato requer de si e dos seus colaboradores maior dinamismo, sacrifício e competência, para que os desafios futuros sejam vencidos, de modo a avançar-se rumo ao desenvolvimento sustentável da província, deixando assim de ser vítima das assimetrias regionais.
“No passado, muito foi feito e muito também fica por se fazer. Mas muito se pode dizer no sentido positivo, Mbanza Kongo, quem te viu e quem te vê, fruto da constatação de melhorias efectivas que aqui aconteceram. A nossa província tem a sua capital elevada a Património Mundial da Humanidade. Que honra e que responsabilidade!”, exclamou, sublinhando que hoje nada pode ser feito sem se ter em conta este reconhecimento mundial.

Aproveitamento de quadros

No domínio de aproveitamento de quadros, o bispo da Diocese de Mbanza Kongo defendeu a necessidade da formação de um elenco governativo mais inclusivo possível e sustentou esta posição, citando um trecho da nota pastoral dos bispos da Conferência Episcopal de São Tomé (CEAST) sobre as eleições gerais de 2017, em que referem que “os futuros governantes, que saírem da vontade expressa nas urnas, trabalhem para o bem de todos os angolanos, independentemente das suas cores partidárias, colocando o acento tónico não na militância partidária, mas na cidadania e no patriotismo.”
Vicente Kiaziku lembrou que a província do Zaire tem vários quadros, mas alguns deles, infelizmente, ainda andam subaproveitados.  Para ele, é necessário que se faça um esforço nesse sector.

Criar o bem-estar social as populações


O governador Joanes André rebateu as preocupações dos membros da sociedade civil e do Conselho Provincial da Juventude, afirmando que no presente mandato o governo provincial vai desenvolver um trabalho sincero, árduo e participativo, para que o Zaire prossiga na senda do desenvolvimento e torne-se numa terra boa para se viver.
“Tenho a certeza de que, durante os cinco anos, vamos criar mais empregos para a juventude, desenvolver o sector da energia eléctrica, água potável e mais vias de comunicação”, afirmou o governante, sublinhando de seguida que o fim último da governação é criar as condições efectivas para o bem-estar da população, através de, entre outros serviços, melhoria do saneamento básico e do sistema de saúde e educação.
O Zaire tem projectos de continuidade, quer a nível central quer local, e o grande dever é cumprir com as orientações do Presidente da República, João Lourenço, como disse Joanes André minutos depois da sua chegada no aeroporto de Mbanza Kongo, onde foi recebido por uma multidão.
Para o alcance das metas traçadas, disse, devem ser transferidos os poderes necessários às administrações municipais, onde vão ser, igualmente, alocados quadros capazes de levar avante todo um  conjunto de acções, indispensáveis para o desenvolvimento das distintas localidades da região.
O desenvolvimento efectivo de qualquer região passa necessariamente pela formação do homem, razão pela qual a província do Zaire vai também apostar neste domínio, através do alargamento da rede de instituições de ensino superior e construção de centros de instrução técnico-profissionais nos demais municípios da região.
O governador, que à margem da cerimónia da sua apresentação, realizada no edifício II do governo provincial, entregou as chaves, símbolo do poder, aos administradores dos seis municípios, anunciou ainda a abertura na região no próximo ano académico de um instituto superior, para permitir a diversificação de cursos, além da inserção de mais jovens neste subsistema de ensino. 
Na cerimónia, Joanes André, agradeceu também o Presidente da República, João Lourenço, pela confiança a si depositada, para continuar a conduzir os destinos das populações locais, tendo realçado que a sua recondução resultou do mérito, não apenas seu, mas de toda a população do Zaire.
O seu primeiro dia de trabalho foi marcado com a realização de uma reunião extraordinária com os membros do governo provincial a quem transmitiu orientações e metas traçadas pelo Presidente da República, além de ter tomado contacto com o novo organigrama dos governos provinciais, resultante da fusão e criação de distintos departamentos ministeriais.

A mentalidade do homem no contributo para os sectores da Saúde e Educação

O eclesiástico indicou que a sociedade civil local gostaria também de ver melhorados os sectores da Saúde e da Educação. “Todos nós conhecemos em que situação se encontra a nossa Saúde que atingiu uma classificação abaixo de zero e que grita fortemente  por socorro”, disse Vicente Kiaziku, para quem aguarda, com ânsia, pela conclusão do novo hospital regional, para melhorar a qualidade de atendimento.
A Igreja Católica na província, disse Vicente Kiaziku, reconheceu ter sido feita muita coisa no período anterior, mas que o problema está na mudança da mentalidade do homem, porque os equipamentos nada podem fazer de bom sem o contributo deste (homem). 
“A nossa Educação também reclama por mais qualidade, enquanto reconhecemos que muitas estruturas educativas foram construídas. Hoje, o desafio é o da qualidade do nosso ensino”, apontou.
O Conselho Provincial da Juventude no Zaire, na sua mensagem lida pela sua  presidente, Maria Florinda Feliz, foi incisivo ao ressaltar os  principais problemas que afectam a juventude, entre os quais a falta de emprego, habitação e défice na formação académica e técnico-profissional.
No documento, os jovens da província pediram que no presente mandato haja maior diálogo do governador com este estrato da sociedade local, de modo a que, em conjunto, sejam encontrados mecanismos para se ultrapassar as dificuldades que a juventude atravessa actualmente. A falta de espaços destinados a momentos de lazer para os jovens, e não só, também foi um dos aspectos que mereceu reparo do Conselho Provincial da Juventude no Zaire.