Reportagem

Dia Mundial do Animal: “Cuidado com o homem!”

O Dia Mundial do Animal foi instituído em 1930, precisamente em homenagem ao santo protector dos animais, falecido a 4 de Outubro de 1226. A sua celebração tem como objectivos sensibilizar a população para a necessidade de proteger os animais e a preservação de todas as espécies, mostrar a importância dos animais na vida das pessoas e celebrar a vida animal em todas as suas vertentes.

Nesta data alargam-se as celebrações à Natureza e aos médicos veterinários, que cuidam dos bichos, em homenagem a S. Francisco de Assis. Embora se insista nos animais domésticos, sobretudo cães e gatos, esta data é aberta a todos os outros, na generalidade. A maioria dos animais e plantas tem dias que são reservados para celebrar e chamar a atenção para a sua importância no Meio.

Mas são as datas reservadas aos animais selvagens as que mais chamam a atenção em virtude da caça furtiva e do risco de extinção. Segundo as Nações Unidas, mais de um milhão de espécies encontram-se nessa situação e o ritmo tende a aumentar, levando a crer que podem desaparecer nas próximas décadas.

Em causa, estão os actuais modelos de produção e de consumo que precisam ser alterados. O ambiente terrestre “foi severamente prejudicado” pelas actividades humanas, em 75 por cento. Nelas, inclui-se a desflorestação, agricultura intensiva, pesca excessiva … Do ambiente marinho, 66 por cento foi afectado.

Risco de extinção

Das raças de mamíferos domesticados usados para alimentação, 559 espécies já desapareceram, 680 espécies com coluna vertebral foram extintas desde 1960. A ameaça de extinção paira sobre 40 por cento das espécies de anfíbios e um terço dos tubarões e peixes.

A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), organização composta por biólogos, calcula que existem 27 mil e 159 espécies em perigo, ameaçadas de extinção ou extintas na natureza, entre quase 100 mil espécies analisadas em profundidade. O grupo de animais ameaçados de extinção inclui 1.233 espécies de mamíferos, 1.492 de aves e 2.341 de peixes.

Além dos animais, estão em risco várias espécies de plantas de importância vital para os seus parceiros na Natureza. Quase metade das espécies ameaçadas são plantas.


Legislação leve

Vários países possuem legislações sobre os animais, prevendo penas para aqueles que cometem maus-tratos, quer aos chamados pets, quer aos de quinta, para não falar das leis sobre o tráfego de animais e a caça furtiva, com base na Declaração Universal dos Direitos dos Animais, aprovada pela UNESCO, em 1978.

A verdade, porém, é que a maioria das situações é tratada ao de leve, prevendo-se sanções muito ténues aos prevaricadores. Em relação aos domésticos, notam-se atitudes contraditórias do ponto de vista negativo, como aquelas em que as pessoas se acham no direito do fazer tudo e mais alguma coisa aos animais que consideram “seus”, os que se procuram alhear-se de qualquer comportamento menos bom dos bichos de estimação e os que, na tentativa de os acudir, acabam por colocá-los em situações difíceis.

Neste dia, há a responsabilidade de recordar que o maior responsável pela extinção dos animais é o ser humano. Antigamente, era costume colocar à porta das casas letreiros com os dizeres “Cuidado com o cão”. Hoje em dia, o aviso devia ser: “Cuidado com o homem!”