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Reportagem

Em busca da segurança alimentar

Os  aspectos que concorrem para os  princípios  universais  da segurança alimentar, tais como a disponibilidade, tranquilidade, acesso e aquisição  dos alimentos, estão garantidos na Huíla, em função da abundância e do excedente de produtos obtidos nas  últimas campanhas agrícolas da província.

Lutero Campos, director provincial da Agricultura e Florestas, apontou os altos níveis de produção de milho, massango, massambala, arroz, feijão e soja, além da criação de gado caprino, suíno e bovino.
“São todos estes  aspectos que fornecem produtos para a segurança alimentar a nível da nossa província, mas ainda assim precisamos de saber se esta interligação está a ser feita milimetricamente e se todos conseguem mesmo  ter acesso a esses alimentos”, frisou.   
De uma maneira geral, em termos de segurança alimentar, a província da Huíla está garantida, mas reconhece que ainda existem famílias que estão a viver abaixo dos padrões exigidos, estando a viver em “insegurança alimentar”. “Estar em ‘insegurança alimentar’, às vezes, não acontece só porque os alimentos não tenha sido produzidos; pode ser devido às enxurradas, porque a chuva varreu tudo o que era produto agrícola e as casas, por isso têm que mudar, explicou.
Todos estes  aspectos que estão a acontecer um pouco por todos os municípios da província impedem que toda a população tenha segurança alimentar de facto, o que não acontece, muitas vezes, por falta de recursos financeiros para adquirirem alimentos.
“Há bastantes produtos para serem adquiridos se as pessoas  forem, por exemplo, pela rota do Lubango ao município da Cacula, porque encontram enormes quantidades de abóbora nas bermas da estrada”, precisou.
“Algumas pessoas até podem ter posses para a aquisição de alimentos e por mera ignorância não o fazem, ficando apenas à espera de doações. Quando, por exemplo, nos Gambos gritam que há fome, uma boa parte destes indivíduos têm currais com quantidades de bois que nós não temos. Esses não podem só gritar que estão em ‘insegurança alimentar’, por isso é preciso analisarmos, também, muito bem estes aspectos. Se você vender um boi consegue comprar outros alimentos,  mas não quer vender porque pensa que aquilo é uma relíquia, até deixa a família reduzida a nudez. É preciso trabalhar a mente dessas pessoas ”, observou.
O município dos  Gambos tem uma elevada produção pecuária proveniente de pequenos criadores. “Se têm gado devem saber que aquilo é um ‘banco’.  Serve como  recurso para quando não tiverem comida e entrarem em ‘insegurança alimentar’, vender aquilo que têm para comprar alimentos”, disse Lutero Campos.

Zonas produtivas

O director provincial da Agricultura e Florestas da Huíla, Lutero Campos, disse que, em termos de produção de alimentos, a província é caracterizada por três regiões, começando pelo Norte, que engloba os municípios de Quilengues, Cacula, Caluquembe, Caconda e  Chipindo, com chuva abundante. Produz cereais,  leguminosas, mandioca, batata doce e fruta. 
A região Centro Leste desenvolve a agricultura e a pecuária nos municípios da Humpata, Chibia, Lubango, Quipungo, Matala, Jamba, Kuvango e Chicomba, atravessados por rios e riachos. Aí localizam-se os perímetros irrigados das Neves na Humpata, das Gangelas na Chibia e o da Matala.
“A zona Centro Leste tem a particularidade de ter um microclima na Humpata, onde se pode desenvolver culturas de climas temperados. Nesta ordem de ideias, se a batata é produzida mais no tempo do frio, aqui é possível fazer duas culturas por ano”, explicou.
A região Sul, integrada pelos municípios da Chibia  e Gambos, desenvolve a agro-pecuária. Porém, a produção de alimentos é mais reduzida devido às fracas quedas pluviais em algumas zonas.
A província da Huíla possui bacias hidrográficas formadas pelos rios Cunene,  Cubango, Colui, Quê e Caculuvar, onde segundo Lutero Campos, é possível desenvolver a aquacultura. “Em vez de fazermos sempre a pesca por captura, temos que realizar a produção de peixe, desde que tenhamos apoios, para os aquacultores  produzirem o peixe em cativeiro“, disse.

Resultados em 2017
A campanha agrícola do ano transacto foi considerada satisfatória em toda a extensão  da província, segundo um relatório oficial a que o Jornal de Angola teve acesso. O documento informa que, contrariamente aos anos anteriores caracterizados pela estiagem, a última campanha  agrícola registou quedas pluviais abundantes, com reflexo no aumento das áreas de cultivo, bem como no incremento da produção.
Na Huíla, 210.800 famílias camponesas de 876 aldeias, organizadas em 224 cooperativas, 835 associações e grupos solidários, receberam assistência humanitária e apoio material, enquanto 441 pequenos agricultores obtiveram aconselhamento técnico e insumos agrícolas, de modo a dinamizar as actividades produtivas das respectivas explorações familiares.
O resultado global  da produção  agrícola de 2017 foi de 605.920 toneladas de alimentos diversos, das quais 363.552 toneladas, equivalentes a 60 por cento, destinaram-se ao comércio e os restantes 40 por cento, correspondentes a 242.368 toneladas, ficaram com os camponeses para auto-consumo.
 
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