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Reportagem

Estradas em péssimas condições travam escoamento de colheitas

Os agricultores da comuna do Lufico, no município fronteiriço do Nóqui, província do Zaire, manifestaram-se preocupados com a deterioração, todos os anos, de milhares de toneladas de produtos agrícolas diversos, dentre os quais  feijão, ginguba, bombo, batata rena e doce e hortícolas, devido à  degradação da estrada, que dificulta o seu escoamento para os grandes centros de consumo.

Os homens do campo apresentaram a preocupação ao ministro da Construção e Obras Públicas, Manuel Tavares de Almeida, que trabalhou no Zaire, durante alguns dias, com o propósito de averiguar o estado actual das vias que ligam Mbanza Kongo, capital provincial, aos municípios fronteiriços do Kuimba, Nóqui e comuna de Madimba (Mbanza Kongo).
Depois de ter ouvido atentamente as reclamações dos habitantes da comuna do Lufico, sobre as peripécias por que passam no seu quotidiano, principalmente, no domínio das vias de comunicação, o ministro da Construção e Obras Públicas, que se fez acompanhar do governador provincial, Joanes An-dré, realçou a importância da reabilitação da via de aces-so àquele ponto central da província, que liga também os municípios do Tomboco, Nzeto, Soyo e as fronteiras do Luvo e do Nóqui.
“Em conversa com o se-nhor  governador, chegamos à conclusão que este ponto central da província é muito importante, porque liga Tomboco, Soyo e as fronteiras do Luvo, Nóqui e Madimba”, explicou.
Para Manuel Tavares de Almeida, enquanto decorre o processo de programação dos projectos  a nível do seu  pelouro, urge a necessidade de se encontrar  outras soluções que passam pela preparação da via através da construção de passagens hidráulicas e terraplanagem, para depois receber o tapete asfáltico.
“Levamos daqui boa nota daquilo que são as potencialidades desta comuna e a reabilitação das estradas vai, certamente, ajudar no escoamento da produção local”, referiu o ministro, para quem  as visitas que efectua nas diferentes regiões do país “traduzem a política do Executivo, que é trabalhar com os membros das comunidades, para ouvir delas reclamações, sugestões e receber informações sobre as distintas potencialidades que possuem”.
O soba do Lufico, Banda Marcelino, disse ao ministro da Construção e Obras Públicas que os camponeses consideram  a localidade como potencialmente agrícola e estão a ficar agastados, uma vez que produzem e não conseguem escoar os seus produtos, acabando por se estragarem nas suas casas e nos campos.
“Muitos abandonaram os campos, porque estão desmotivados. Não faz sentido continuar a cultivar grandes quantidades de produtos para depois se estragarem na la-vra”, asseverou a autoridade tradicional, que defendeu a reabilitação urgente da estrada, para alavancar o seu desenvolvimento sócio-económico da região.“Dificilmente chegam carros aqui, porque a estrada está péssima”, revelou a munícipe Maria Sita João, de 20 anos, para acrescentar que há carência de tudo um pouco, uma vez que apenas motorizadas fazem viagens de Lufico ao Tomboco, num percurso de 75 quilómetros.

Estrada Mbanza Kongo-Nóqui
Circular no troço rodoviário entre Mbanza Kongo e o mu-nicípio fronteiriço do Nóqui é doloroso e uma autêntica, a julgar pela sinuosidade do percurso que os automobilistas estão sujeitos a enfrentar para alcançar a sede municipal do Nóqui.
Da cidade de Mbanza Kongo até ao rio Mpozo, linha divisória entre as duas regiões, anda-se numa estrada asfaltada, embora se verifiquem  alguns pontos não concluídos. Noutros pontos, o asfalto, simplesmente, desapareceu, por falta de trabalhos de manutenção atempados.
É o caso do troço entre as aldeias Nkuanza e Nkoko, que se encontra totalmente degradado, uma situação que ocorreu pouco tempo depois de a estrada ter sido asfalta-da pela construtora Tecnovía Angola, empresa encarrega-da pela construção da estra-da Mbanza Kongo\Luvo, in-
cluindo a ligação  ao posto fron-
teiriço do Nóqui, num total de 172 quilómetros.
A empreitada  inclui trabalhos de acomodação de tráfego, desmatação e abate de árvores, escavações e aterros, drenagens, pavimentação e sinalização. A estrutura de pavimento é constituída por camada de sub-base com 0,25 e 0,20 metros de espessura. A execução de passagens hidráulicas e trabalhos de drenagem longitudinal encontra-se parcialmente concluída. Faltam 85 quilómetros de pavimentação e respectiva sinalização.

Ir à Serra da Kanda é uma verdadeira “odisseia”

Os habitantes da comuna da Serra da Kanda, no município do Kuimba, vivem um calvário, tudo porque a via de acesso à sede comunal, situada no cume de uma montanha, está intransitável, há quatro meses, para viaturas, nem mesmo as do tipo todo-o-terreno conseguem enfrentar o traço de terraplanagem degradado, por força das águas pluviais.
Da sede municipal do Cuimba até à comuna da Serra da Kanda são ao todo 46 quilómetros, sete dos quais compreendem uma elevação íngreme, cuja altitude ronda os dois mil metros acima do nível do mar.
A localidade com 11.596 habitantes oferece um  panorama paisagístico sem igual, fruto da floresta densa que a rodeia, associada às quedas do rio Mbridge e de uma beleza natural que se esfuma na falta de outros quesitos capazes de, não apenas atrair investimentos, promover o turismo rural, mas, também, animar a vida dos seus habitantes.
A via beneficiou, há anos, de obras de reabilitação, que consistiram na desmatação, substituição dos solos e terreplanagem, mas devido as chuvas foi-se degradando, progressivamente, até se tornar novamente intransitável.
O facto deixa as populações locais preocupadas, pois, se vêem privadas de vários bens e serviços indispensáveis à sua sobrevivência, como relatou ao Jornal de Angola, o administrador comunal, com um semblante bastante carregado de tristeza.
Afonso Mbiavanga, na sua qualidade de administrador comunal, sente na pele a responsabilidade de ser o “porta-voz” dos problemas de uma população que, em pleno século XXI, ainda leva uma vida quase primitiva, pela ausência na circunscrição de vários serviços e bens essenciais à sua subsistência, tudo por conta da intransitabilidade do troço.
A comitiva do ministro da Construção e Obras Públicas experimentou uma autêntica odisseia ao ser convidada para escalar o morro da serra, de Kanda, para ver de perto o ponto mais crítico do troço. Foi um  verdadeiro  teste à condição física dos integrantes, não importando a idade e o género.
O desafio começou, mas nem todos aderiram. Alguns foram desistindo ao longo do percurso. Haja fôlego! Quando faltavam cerca de 50 metros para alcançar o objectivo, o grupo foi ficando cada vez mais reduzido. Este facto chamou atenção do ministro, tendo interrompido a escalada e justificou. “Se estivesse aqui sozinho, responderia por mim, mas são muitas pessoas sob minha responsabilidade, vamos terminar por aqui”, para o alívio dos membros da comitiva.
O Jornal de Angola apurou que algumas motorizadas que fazem serviço de táxi conseguem escalar a Serra da Kanda, cobrando entre sete e três mil kwanzas kwanzas por corrida, este último valor muito solicitado quando chove.
Para piorar, os motociclistas quando atingem a elevação íngreme acima referida, convidam os clientes a descerem da motorizada e caminharem cerca de sete quilómetros, para depois de superado o obstáculo, retomar ao táxi. Um “Quebra - cabeça” tem sido,  também,  a evacuação de doentes graves para a sede municipal do Cuimba, que, nesses casos,  os familiares são obrigados a transporta-los de tipóia. Tem havido casos em que os doentes acabam morrendo pelo caminho, para a desgraça dos parentes.  
“Estamos satisfeitos com a visita do ministro da Construção e Obras Públicas. Esperamos que este problema da estrada seja resolvido em breve, porque está afectar a vida das populações”, disse Afonso MBiavanga, acrescentando que, a par da estrada, a comuna com 186 aldeias agrupadas em nove regedorias, não possui infra-estruturas sociais necessárias para acomodação dos distintos serviços.  
O administrador clama por mais escolas, centros médicos, entre outras infra-estruturas sociais.