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Reportagem

Fábrica de detergentes diminui importações

Angola está cada vez mais auto sustentável com produtos detergentes de limpeza e pode ver reduzida a necessidade de importá-los até 2018. Com o lançamento da nova marca “Ultra” e com o aumento da produção, a Basel Angola espera cobrir mais de 60 por cento das necessidades do país.    

A Basel é uma empresa privada de detergentes localizada no município de Viana, que concebeu um investimento da Agência Nacional de Investimento Privado (ANIP), tendo dado início às actividades em 2010, representando a linha de detergentes “Madar”. Inicialmente, o investimento era de cinco milhões de dólares, hoje já atingiu mais de 30 milhões.
A fábrica tem 710 funcionários, sendo 70 por cento dos lugares ocupados por homens e 30 por mulheres.
Após a sua expansão feita desde o ano passado, a Basel aumentou a sua capacidade de produção de cinco toneladas por hora, para oito. Mas infelizmente, nos últimos dias, devido à dificuldade na obtenção de matérias-primas a produção caiu para quatro toneladas.
A meta é atingir as 4.000 toneladas por mês para poder cobrir quase todo o território angolano. Actualmente, a fábrica funciona a 80 por cento da sua capacidade de produção, com os investimentos que estão a ser feitos até ao próximo ano, pode chegar a 100 por cento.
A Basel é a única fábrica que produz  detergente em pó no país. Em breve, começa a ser montada a fábrica de lixívia com tecnologia de ponta, proveniente da Itália, que permite produzir lixívia a partir do sal.
Em África, existem seis fábricas que representam o produto “Madar”, nomeadamente, no Médio Oriente, Nigéria, Camarões, Guiné-Bissau e Guiné-Conacri. A fábrica Basel lançou a nova marca com selo ‘feito em Angola’, denominada “Ultra”, que já está há mais de seis meses no mercado angolano.
Com o lançamento da nova marca no mercado, o país passa a ter mais um produto para exportar, contribuindo assim para a diversificação da economia.
O director-geral da Basel Angola, Hussein Khatoun, garantiu que neste momento a empresa está focada em aumentar a capacidade de produção e melhorar cada vez mais a qualidade do produto, para poder atender com dignidade e satisfação o mercado angolano e outros países de África.
A Basel Angola conta com o apoio de algumas empresas como a Fozkudia, de embalagens de papelão, a Graph Systen, produção de rótulos e a Sonangol para o fornecimento de combustível. Para a produção de um detergente em pó, são necessários 15 ou 18 tipos de matéria-prima, normalmente importada de vários países como Tunísia, Rússia, Bélgica, Jordânia, Dubai e uma boa parte da Europa. A produção de detergente em pó tem sido de dez toneladas por hora, os produtos líquidos podem fazer três mil litros por hora.
Em 2018, a fábrica pretende arrancar com a produção de sabão em barra e com a montagem da fábrica de lixívia com uma tecnologia de ponta. “Pensamos também em implementar a fabricação de fraldas descartáveis e cosméticos”, disse o director.
Os produtos da Basel também são comercializados na República Democrática do Congo (RDC) e na Namíbia, através de comerciantes angolanos que os levam àqueles mercados, através da fronteira que liga Angola a esses países. Para a produção de outros detergentes em líquido, é necessário importar dez tipos de matéria-prima (em líquido e em pó), de países como a China, África do Sul e outros da Europa. No laboratório, é testada a qualidade de cada matéria-prima, antes de ser acondicionada em reservatórios (tanto o material em líquido como o em pó).
A produção actual da fábrica ronda as mil toneladas por mês, mas, com a implementação da nova tecnologia, poderá atingir 4.000.

Ultra no mercado


O detergente Ultra foi lançado recentemente no mercado angolano pela fábrica Basel Angola, depois de ter sido testado com a mais alta tecnologia europeia. A sua qualidade pode ser comparada com as grandes empresas mundiais de detergentes, nomeadamente a Unilever, a Procter and Gamble e a Henkel. O produto foi bem recebido pelas zungueiras e responsáveis de cantinas, que revelaram que, por ter um preço acessível e boa qualidade, o Ultra tem sido a preferência de muitos clientes. Cada pacote de omo no mercado informal, dependentemente do tamanho, custa em volta de 100, 200 a 250 kwanzas.
Maria Pinheiro, de 32 anos, é vendedora ambulante e disse que, apesar de o Ultra ser fabricado no país e a sua qualidade não diferir muito de outros produtos importados, “os clientes compram muito porque gostam do produto, mesmo em minha casa lavo a roupa e a loiça com o Ultra”, disse a jovem.
O lançamento deste novo produto tem sido motivo de orgulho e de satisfação para os responsáveis da fábrica, porque conseguiu dominar o mercado fruto da qualidade e do preço acessível. A produção da Ultra na fábrica atinge os 60 por cento do total dos produtos. Marca criada e nascida em Angola, a Madar, por ser uma marca internacional, representa os 40 por cento.
O director-geral da Basel, Hussein Khatoun, disse estar satisfeito pelo apoio que tem recebido do Executivo para manter a fábrica em funcionamento, face às dificuldades em divisas. “Agora, estamos mais confortáveis e tranquilos, o Governo tem acompanhado as indústrias e procura resolver as dificuldades que enfrentamos nos últimos dias.
No que concerne às divisas, para obtenção de matéria-prima, peças sobressalentes, salários e novos projectos em perspectiva.”
Apesar das dificuldades que têm encontrado para obtenção de matérias-primas, a Basel procura manter os níveis de produção e primar sempre pela qualidade com os meios disponíveis, já que, neste momento, a procura dos produtos é superior à oferta.
A empresa lança brevemente novas linhas de produtos como amaciador de roupa, desinfectante de frutas, lava tudo, limpa vidro, multiuso, ambientador, sabonete, car wash, shampoo e WC cleaner. Na Basel Angola, existe um laboratório sofisticado, onde são testados os seus produtos quinzenalmente.

 
Sabão em pó remove manchas


O sabão em pó é um bom exemplo disso. É o produto considerado adequado para lavar roupa e remover manchas, pois possui compostos chamados clarificantes ópticos que mudam a composição da sujidade e transformam-na na cor do tecido.
O principal representante dos detergentes é o sabão. A escassez de produção de sabão durante a I Guerra Mundial levou à obtenção de novos tipos de detergentes. Apareceram, então, no mercado doméstico, produtos detergentes não saponáceos de origem industrial, incluindo misturas de tensioactivos com outras substâncias, coadjuvantes como os polifosfatos, silicatos, carbonatos, perboratos e agentes auxiliares que incluem, entre outros, enzimas, substâncias fluorescentes, estabilizadores de espuma, corantes e perfumes.
Os primeiros detergentes deste tipo, derivados do benzeno, foram amplamente utilizados nos anos 40 e 50, porém não eram solúveis nem biodegradáveis, sendo ecologicamente danosos ao meio ambiente.

Amigos da natureza


Os detergentes biodegradáveis são aqueles que a própria natureza se encarrega de eliminar e não causam qualquer impacto ambiental. Os não-biodegradáveis, pelo contrário, causam impacto ambiental.
Inicialmente, os detergentes eram não-biodegradáveis e quando fossem eliminados em esgotos depositavam-se nos rios e acumulavam-se gradativamente, pois não tinham quem os degradasse. Com o tempo, infiltraram-se nos lençóis freáticos, prejudicando a vida aquática.
A solução para o problema foi a invenção dos detergentes biodegradáveis, que são consumidos por micro organismos. Só que, devido à falta de tratamento de muitos esgotos, surge outro problema: a eutrofização. Micro-organismos consumiam os detergentes e reproduziam-se em todo o oxigénio contido na água e, além de matarem por asfixia os animais que ali habitavam.

Instituto de qualidade promove a elevação do sector produtivo e económico

O Instituto Angolano de Normalização e Qualidade, abreviadamente designado por (IANORQ) controla o sector produtivo, através da política do Executivo no domínio da promoção, organização e desenvolvimento do sistema angolano da qualidade, bem como o asseguramento da realização da política nacional da qualidade.
O instituto tem como principais atribuições: propor as linhas de acção, os objectivos e as medidas legislativas adequadas à conformação de uma política nacional da qualidade que assegure a promoção, a organização e o desenvolvimento do sistema angolano da qualidade.
Incentivar e desenvolver a qualidade, mediante a agregação de esforços que visem a elevação dos seus padrões através da interacção com entidades públicas e privadas, operadores económicos e entidades científicas.
Promover a consciencialização em matéria da qualidade, de modo a contribuir para o aumento da produtividade, competitividade e inovação no sector económico e produtivo.
Coordenar as actividades de normalização a nível nacional, desenvolver o acervo normativo nacional e divulgá-lo com vista à sua aplicação no quadro das metodologias estabelecidas pelos organismos internacionais e regionais de normalização.
Assegurar e gerir o sistema de controlo metrológico legal dos instrumentos de medição, reconhecer entidades com competências para o exercício subdelegado desse controlo e coordenar a rede por elas constituídas, garantindo a efectiva cobertura a nível nacional. Instituir marcas nacionais da qualidade e assegurar a sua respectiva gestão, uso e reconhecimento a nível regional e internacional.
Agir como organismo de certificação de produtos, processos e pessoas, instituindo as necessárias metodologias. Criar mecanismos para garantir a conformidade com normas internacionais de sistemas de gestão da qualidade.

Fábricas de detergentes


As fábricas, bem administradas, são fundamentais para o sucesso de qualquer empresa de bens de consumo e até para o bem-estar da economia. As empresas podem monopolizar mercados, por reconhecer um produto viável e aquisição ou construção de uma fábrica para concentrar em produção especializada e em massa.
Uma fábrica é um grande investimento com custos de manutenção elevados, mas que cria postos de trabalho, especialmente quando construídas ou adquiridas próximas das cidades.
Os detergentes começaram a ser produzidos em escala comercial em meados de 1940, período em que estavam escassos os produtos que se utilizava para se fazer sabão. Desenvolveram então os detergentes, a partir do petróleo obtido por um processo chamado “destilação fraccionada”, que resultava no propeno (gás incolor, inodoro) que era utilizado na composição dos detergentes.
O princípio básico dos detergentes é quebrar a tensão superficial da sujeira para que seja possível removê-la com água. Os detergentes têm duas partes principais, uma interna e outra externa. A parte interna está relacionada com a sujeira e a externa com a água.