Reportagem

Fisioterapeuta aponta causas para a perda da erecção e da ejaculação precoce

Boa parte dos casos de disfunção sexual masculina, com realce para a ejaculação precoce e a perda de erecção, entre jovens e adultos, está relacionada com a prática da masturbação excessiva, revelou, ontem, em Luanda, a fisioterapeuta pélvica Adalgiza Mualubambo.

A especialista avançou que, embora não existam estatísticas fiáveis no país, os dois principais problemas de disfunção sexual (ejaculação precoce e disfunção eréctil) que chegam aos consultórios de especialidade são registados em pessoas com idades entre os 30 e os 50 anos, provocados pelo excesso de masturbação. Além da masturbação excessiva e de algumas razões desconhecidas, a fisioterapeuta considerou que, em Angola, as situações pós-cirurgia da próstata, hipertensão, diabetes, má- alimentação, alcoolismo, stress e baixa auto-estima são as principais causas das disfunções sexuais.
Adalgiza Mualubambo avançou que os homens, jovens e adultos, com problemas de disfunção sexual chegam aos fisioterapeutas por recomendação de especialistas como urologista, sexólogo e psicólogo, que, no fundo, são parceiros do fisioterapeuta pélvico dentro da equipa multidisciplinar.
A fisioterapeuta adiantou que a situação não se verifica em crianças, mas aconselhou a realização de estudos mais aturados em adolescentes com actividade sexual activa, por este grupo da sociedade estar a consumir bebidas alcoólicas e drogas cada vez mais cedo.
“Não há esse problema em crianças, mas temos tido muitos casos de jovens na flor da idade com relatos de ejaculação precoce”, disse a especialista, para quem a situação é preocupante porque uma das principais causas de disfunção sexual masculina é o excesso de masturbação.
Em função da realidade angolana, resultante de causas ligadas à educação religiosa e ao meio sociocultural e também por muitas pessoas acharem que a disfunção sexual pode passar com o tempo, mesmo sem terapia adequada, a fisioterapeuta alertou que muitos casos chegam aos técnicos de saúde em estado bastante avançado.

Soluções fisioterapêuticas

Adalgiza Mualubambo salientou que as disfunções sexuais podem ter solução, com a intervenção da fisioterapia pélvica, uma especialidade também conhecida por uroginecologia funcional, que faz o estudo, prevenção e tratamento dos distúrbios da pelve humana, incluindo dos ossos, articulações e do assoalho pélvico, estrutura formada por 13 músculos, fáscias e ligamentos, que formam uma rede de sustentação e está localizada entre o osso púbis e o cóccix (toda a região da bacia). A especialista explicou que a fisioterapia pélvica é uma das especialidades da fisioterapia que previne, trata e reabilita as disfunções do assoalho pélvico, ou seja, aparelho reprodutor feminino e masculino, com o objectivo de promover a capacidade de contrair e relaxar adequadamente os músculos desse órgão.
Com isso, a fisioterapia pélvica fortalece essa musculatura com o intuito de recuperar as funções de continência urinária e fecal, dar sustento aos órgãos pélvicos, reduzir a hiperactividade vesical, melhorar a actividade esfincteriana e melhorar a condição muscular, principalmente os músculos do assoalho pélvico (períneo).

Actuação da fisioterapia pélvica

A especialista realçou que a actuação da fisioterapia pélvica nas disfunções pélvicas masculinas, além de avaliar a condição muscular do assoalho pélvico, baseia-se na elaboração de um programa de reabilitação que normalize o tônus dessa musculatura, promovendo um equilíbrio funcional e minimizando algumas possíveis sequelas pós-cirúrgicas.
A fisioterapeuta Adalgiza Mualubambo explicou que, depois de uma avaliação minuciosa, é possível iniciar a terapia, visto que a fisioterapia pélvica é um tratamento de custo acessível e sem efeitos colaterais, daí defender que deve ser a primeira opção terapêutica.
“A nossa intervenção pode melhorar a musculatura do assoalho pélvico e aumentar a capacidade de erecção”, garantiu a especialista, acentuando que “muitos casos de disfunção sexual podem ser revertidos pela fisioterapia pélvica, principalmente se forem associados aos recursos terapêuticos, como exercícios do assoalho pélvico (Kegel), auxiliados ou não por biofeedback ou electroestimulação e peridell”.
Antes disso, Adalgiza Mualubambo recomenda a prática regular de exercícios para a musculatura do assoalho pélvico e a melhoria da circulação sanguínea no pénis, visando a diminuição dos riscos de disfunção eréctil e dos efeitos do envelhecimento sobre todo o aparelho urogenital.