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Reportagem

Grande volume de negócios em perspectiva

A organização da sexta feira da banana perspectiva ultrapassar os cerca de cinco milhões de dólares norte-americanos alcançados na edição anterior, tendo em conta a inovação que a mesma apresenta.

A área escolhida para o evento, no interior da maior fazenda agrícola de Caxito, província do Bengo, tem 15 mil metros quadrados, que  dá possibilidade aos visitantes de terem acesso imediato ao processo de cultivo da banana. 
Outro factor tendente a  superar o volume de negócios cifrado na quinta edição é a cobrança de uma taxa para o acesso à feira, fixada em 300 kwanzas por dia,  o que ganha adesão dos visitantes que volta e meia acolhem  ao  local do evento.
A sexta edição da feira da banana de produção nacional foi, igualmente,  espaço privilegiado para o contacto entre produtores, expositores, vendedores e visitantes,  que apostam na interacção para a materialização do lema: “Fruto da nossa terra é fruto de valor”, que se junta à aposta na diversificação da economia.
O espaço escolhido para os três dias do evento constituiu mais um exercício de marketing para as terras do “Jacaré Bangão”, com inovações, de onde sobressaíram pavilhões para exposição e um espaço aberto onde feirantes com factores de produção deram largas ao potencial, à promoção e à visibilidade que emprestaram à feira.
O pavilhão principal, que por sinal não é o mais concorrido,  acolheu diversas empresas, que publicitam de tudo um pouco que a modernidade dá azo. Da venda de livros a serviços, passando por instituições de utilidade pública,  bancárias,  artigos diversos, restaurantes, pequenos empreendedores e a predominante sala de conferências para o aprendizado, da  troca de experiências de produção  da banana ao combate a pragas diversas.
O espaço para conferências que  ostenta o lema específico “Fruto da terra é fruto de valor”, foi igualmente escolhido para a discussão dos porquês dos sucessos e insucessos na cadeia de produção agrícola, onde os palestrantes esgrimiram argumentos de valor para um plenário interessado em abordar temas agrícolas.

Oportunidades de negócios


A feira de Caxito reuniu cerca de 100 expositores, com representantes do Bengo, Bié, Lunda Norte, Uíge e Zaire que trouxeram o que de bom em termos de toneladas de  banana  têm para mostrar e negociar. A banana foi apresentada em grandes quantidades e comercializada a preços promocionais, principalmente em cachos. Já a banana pão com maior quantidade de amido e pouco perecível foi disputada sem pressas.
Os municípios de Ambriz, Bula Atumba, Dande,  Dembos Quibaxe, Nambuangongo e  Pango Aluquém, que constituem  o elo forte da produção agrícola e contribuem para que a província do Bengo atinja patamares de relevo de banana no  país, participaram para mostrar o quanto valem. Desde logo, os produtores familiares, que constituem o grosso dos municípios, apresentaram diversos produtos do campo. Mostra de mandioca, milho, feijão, cana-de-açúcar, café, inhame e batata-doce fizeram as delícias dos potenciais compradores que afluíram ao local. Nota de realce para a Nova Agrolíder, simplesmente o maior produtor de  banana e hortícolas da província, que uma vez mais esmerou no preparo, no stand e na apresentação do produto com requinte, a dar mostras de que já é um exportador, com vendas em África e na Europa.
A sexta feira da banana, a julgar pelo número de visitantes nos dois dias de porta aberta,  deu a ver que o produto, no caso a banana,  contínua a ser símbolo, um potencial muito apreciado e concorrido. O local escolhido é por sua vez sintomático e dá a ver potencial para futuros eventos ligados à agricultura ou outro quadro, que reúna interessados, sobretudo para exposição e debates nas próximas edições.
Os visitantes foram um complemento indispensável,  pelo interesse que faz de Caxito um ponto de convergência e de oportunidade de negócios neste período meio tímido de Cacimbo. Sem medir mãos, os que tiveram o pé em Caxito sentiram de tudo um pouco, desde  as paisagens convidativas e pendor agrícola, ao rio Dande do mítico “Jacaré Bangão”. Alguns apreciaram os quitutes da terra, passearam pelos diferentes restaurantes e, claro, abriram os cordões à bolsa para comprar produtos a baixo preço. O final do evento estava agendado para compra e venda.

Expositores satisfeitos

 
 Os expositores manifestaram-se satisfeitos  com as vendas dos seus produtos. O  presidente da cooperativa Agropecuária “Campos Kinangumba”, José Fernandes, do município de Nambuangongo, disse à reportagem do Jornal de Angola que a sexta edição da feira da banana permitiu que os camponeses da província do Bengo expusessem os seus produtos com maior abertura.
Aquele responsável fez saber que comercializaram na feira vários produtos do campo, entre os quais a banana, batata-doce, tomate, milho, laranja, limão, mandioca e a cebola. José Fernandes deu a conhecer que o preço do cacho de banana foi comercializado num valor entre os 300 e os 500 kwanzas, ao passo que  a  banheira de laranja foi vendida a 500 kwanzas.
Já Marieta Arsénio, camponesa do município de Dembos - Quibaxe, disse que é  a primeira vez que participou na feira da banana como expositora e ficou impressionada com as vendas, uma vez  que decorreram a bom ritmo. “Fiquei a gostar do modo  em que os populares estavam à  procura dos produtos agrícolas que trouxemos do nosso município”, afirmou com uma certa satisfação.
Rebeca Martins, moradora do município do Dande, confessou-se  maravilhada com a feira da banana, tendo em conta que conseguiu comprar todo o tipo de produtos do campo que desejava para levar para casa. “Encontrei vários produtos nesta feira que já não via há muito tempo. Aconselho a todos os munícipes do Dande a visitar, sempre que se realiza feiras como essas.”
Vários pratos típicos foram  vendidos   para os visitantes que queriam degustar os quitutes da terra. Para tal, foi  servido funji de bombó com calulu de peixe, mufete e cacusso, acompanhados do famoso maruvo, com preços na ordem dos  mil 500 a  dois mil kwanzas.