Reportagem

Investimento na construção de memoriais homenageia povo de Cassinga e Tchetekela

O ministro das Finanças, Archer Mangueira, anunciou,  na comuna de Tchamutete, município da Jamba, que o Executivo vai investir o equivalente mais de três milhões de dólares na construção dos dois memoriais de Cassinga, província da Huíla, e de Tchetekela, na do Cunene.


Archer Mangueira, que fez o anúncio à margem da cerimónia simultânea de assinatura do acordo bilateral sobre a construção de sítios memoriais em Cassinga e Tchetekela,Angola, e das ce-lebrações dos 40 anos do massacre de Cassinga, feita pelos Governos de Angola e da Namíbia, disse que os fundos são do Executivo angolano e que a obra, a ser executada por uma empresa daquele país vizinho, tem a duração de um ano.
O Massacre de Cassinga, referiu Archer Mangueira, atingiu homens, mulheres e crianças que morreram no então campo de refugiados namibianos, e a construção dos monumentos é a forma que os dois países têm de homenagear aquelas pessoas.
“Os custos da construção dos memoriais ascende ao equivalente a três milhões de dólares norte-americanos e a obra vai ter a duração de um ano. Vamos ter o me-morial para homenagear o povo que aqui tombou na luta pela independência da Namíbia”, declarou.

Reconhecimento
O ministro da Defesa Nacional, general Salviano de Jesus Sequeira “Kianda”, afirmou  na localidade de Cassinga, município da Jamba, que a construção dos memoriais de Cassinga e de Tchetekela” é, certamente, um gesto de justiça e de reconhecimento pelo feito de todos aqueles que sacrificaram as vidas para a libertação da Namíbia.
Falando na cerimónia de assinatura do acordo bilateral entre os Governos dos dois países sobre a construção de sítios memoráveis em Cassinga e em Tchetekela, em Angola, o ministro da Defesa Nacional disse que o compromisso de juntos construírem dois monumentos nas províncias da Huíla e do Cunene consolida a cooperação de fraternidade e de solidariedade.
“As circunstâncias políticas, as características dos nossos povos, as influências históricas e as heranças para as gerações presentes e vindouras fazem parte da nossa existência como nações irmãs e animam-nos a caminhar juntos rumo ao desenvolvimento”, disse.
O ser humano, precisou, preza a liberdade e luta a todo o custo, para alcançar os seus valores e preservá-los. Acrescentou que foi “com este espírito que valorosos homens e mulheres da Namíbia desafiaram os opressores. Mesmo com a então desproporcionalidade bélica, o desejo e a determinação de libertar a sua pátria falou mais alto, a tal ponto que as bombas não conseguiram travar a vontade e o engajamento de todo um povo”.
Entre angolanos e namibianos, salientou, existem ligações históricas que re-montam às lutas de resistência dos “nossos antepassados, que tiveram no Rei Mandume a expressão mais em-blemática da nossa determinação para o alcance dos feitos gloriosos na trajectória pelas nossas independências e a liberdade dos povos de Angola e Namíbia.”
 
Atrocidades
As atrocidades praticadas pelas forças do regime do apartheid, em Cassinga e em Tchetekela, contra refugiados indefesos, vão ser sempre lembradas e condenadas. Este espírito é im-portante nos monumentos para manter vivas as barbaridades vividas e as vidas hu-manas perdidas e vai traduzir o sentimento de condenação e de negação à guerra, dando total aceitação, e um comprometimento com a liberdade, rumo a um futuro seguro e próspero.
Nas grandes batalhas, precisou, travadas contra o re-gime do apartheid, de segregação racial e de extrema opressão e humilhação, que só com o apoio cubano poderia ser combatido e derrotado, tomaram parte valorosos combatentes angolanos e namibianos que, de mãos dadas, se ergueram de corpo e alma, como se concreti-zou na célebre Batalha do Cuito Cuanavale, actualmente, marco histórico da luta de libertação dos povos de An-gola, da Namíbia e da África do Sul, facto que “nos orgulha e defendemos nos fóruns apropriados, para ser adaptado como símbolo da luta de libertação da África Austral.”
No dia 4 de Maio, completaram-se 40 anos desde o início de uma série de ataques perpetrados pelo regime do apartheid ao campo de re-fugiados de Cassinga e à delegação da Swapo, que ficou conhecido como “Massacre de Cassinga”.
O Massacre de Cassinga é um reconhecimento à bravura do povo namibiano na luta para a independência do seu país, que se fez a partir do território angolano.
Ao recorrer às palavras do primeiro Presidente da República de Angola, o saudoso Dr. António Agostinho Neto, quando dizia “na Namíbia, no Zimbabwe e na África do Sul está a continuação da nossa luta”, o ministro da Defesa lembrou que o saudoso Presidente António Agostinho Neto ao proferir estas palavras estava consciente do sacrifício que o povo angolano tinha de consentir para ver os seus irmãos namibianos e não só livres da opressão do regime do apartheid e do jugo colonial e, acima de tudo, sabia das consequências, para o povo angolano, ao lutar para atin-gir este fim, pois, sem a independência da Namíbia, do Zimbabwe e da África do Sul, Angola não poderia desfrutar da sua independência.
O secretário de Estado da Cultura, Clemente Cunjuca, disse que os dois monumentos vão simbolizar a contribuição de Angola para o amplo movimento de libertação da Namíbia e a democratização da população sul-africana.
“Angola foi uma retaguarda segura do movimento de libertação da Namíbia e aqui as duas localidades, onde se vai construir os dois monumentos, são áreas que constituíram as bases, quer para o campo de refugiados dos namibianos, como uma área operacional onde as forças da Swapo se encontravam”, disse, acrescentando que, por outro lado, a localidade de Tchamutete tem um significado ímpar, por ter sido a vanguarda para a libertação da Namíbia.
“Tivemos nesta área a 33ª brigada de luta contra bandidos e a unidade cubana, que aquando do Massacre de Cassinga desempenhou um papel importante para a protecção da Swapo”, precisou.
 
Valor cultural
Clemente Cunjuca disse que Cassinga e Tchetekela vão ser uma rota da independência e do movimento de libertação nacional.
Já o ministro da Protecção e Segurança da República da Namíbia, Charles Namoloh, disse que Angola se tornou a segunda casa do povo namibiano.
O Massacre de Cassinga é dos ataques mais horríveis da história da Namíbia, onde morreram mais de 700 pessoas, entre crianças e adultos.
A Namíbia está certa de que, ao comemorar os 40 anos, as duas nações estão comprometidas a reforçar os laços de cooperação entre os dois países que continuam a ser fortes cada vez mais.
Os acordos assinados para a construção dos dois me-moriais em Cassinga e em Tchetekela, nas províncias da Huíla e do Cunene, são uma forte expressão da vontade política e do compromisso dos dois países em continuarem a reforçar as relações de amizade, fraternidade e de cooperação e preservar a história comum para as gerações vindouras.
Angola contribuiu fortemente para o processo de luta de libertação da Namíbia. “De facto, Angola e Cuba contribuíram substancialmente em termos humanos e materiais para a nossa luta pela liberdade”, reconheceu.
A assistência que o povo angolano deu à Swapo foi importante e reforçou o espírito revolucionário do povo namibiano, até à conquista da independência nacional.
 
Reabilitação da estrada
O governador provincial da Huíla, João Marcelino Tyipinge, defendeu a reabilitação da estrada que liga a sede municipal da Jamba à localidade de Cassinga Sul, onde vai ser erguido o memorial histórico daquele massacre, num percurso de 105 quilómetros.
João Marcelino Tyipinge disse que se vai construir o memorial em memória das vítimas do Massacre de Cassinga, mas que é preciso reabilitar a estrada, para que o acesso seja mais facilitado.
O monumento vai ser atractivo para os turistas, mesmo para aqueles que foram inimigos, que também querem visitar a zona.
Assistiram à cerimónia, so-breviventes dos dois países, membros dos governos da Namíbia e de Angola, convidados, autoridades tradicionais e população em geral.