Reportagem

Nossa Senhora do Monte vai ter Jardim Botânico

Apesar de as opções serem diferentes, muitos estudantes encontram no estudo em grupo a maneira de refor­çar os conhecimentos com a ajuda de outras pessoas que compartilham o mesmo objectivo, e o Polígono Florestal do Complexo Turísti­co e Desportivo de Nossa Senhora do Monte, na cidade do Lubango,  tem sido o destino de milhares de estudantes do ensino secundário e superior.

Marcos Mateus, estudante do Curso de Direito, confessou que começou a estudar em grupo no Polígono Florestal de Nossa Senhora do Monte desde o ensino secundário e reconhece a experiência positiva e os resultados alcançados. 
Para Marcos Mateus, o ambiente no local favorece a melhor percepção das matérias que são ministradas na escola. Marcos Mateus defende a melhor preservação dos locais, "que  nem sempre os estudantes têm o cuidado de proteger os assentos ali colocados".
Joana Madeira é estudante do  segundo ano do Curso de Psicologia do Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED). Para a estudante, o estudo em grupo é uma oportunidade de aprender e desenvolver a comunicação, que é uma das habilidades muito exigida no mercado de trabalho. “O compromisso com os outros é essencial para tudo funcionar bem”, reconheceu, e indica o Polígono Florestal da Senhora do Monte como um lugar bom para tal prática.
Antónia Paulo, outra estudante que frequenta o Polígono Florestal de Nossa Senhora do Monte, disse que no estudo em grupo tem também a oportunidade de aprender,  comunicar e ensinar ao mesmo tempo.
“Faço parte de um grupo com outras duas pessoas que frequenta o Polígono Florestal de Nossa Senhora do Monte, e tem dado certo. Durante o segundo semestre, as nossas notas melhoraram consideravelmente. Em função das habilidades dos integrantes do grupo, cada um ensina a área em que tem mais conhecimento. Temos compartilhado anotações de aula e fazemos o resumo em conjunto”, disse.
O objectivo principal dos grupos de estudo é os alunos   trocarem experiências livremente, transmitirem o que entenderam melhor e alterar as fragilidades. Melina Bernardo, professora de Inglês na Escola Secundaria do II Ciclo do Lubango, reconhece a habilidade dos seus alunos, que maioritariamente optaram por estudar em grupo no ano lectivo 2017. Muitos alunos, ao debaterem aquilo que foi ensinado na escola, tornam os resultados mais positivos. “Os grupos de estudo são diferentes do método individual e valem a pena para quem tem dificuldades de aprender sozinho”, esclareceu.
Manhã de segunda-feira. Os estudantes estão em período de exames. Além do estudo  em grupo, no Polígono Florestal do Complexo Turístico e Desportivo de Nossa Senhora do Monte, divisam-se estudantes isolados. A reportagem do Jornal de Angola aborda a estudante Madalena, que frequenta o quarto ano de Inglês no Instituto Superior de Ciências de Educação (ISCED).
Madalena explica que adorava estudar em grupo porque tinha uma óptima relação com os colegas, mas tal facto interferia no seu rendimento. “Eu ficava confusa  porque perdia tempo a estudar algo que já sabia e por isso não me encaixava no ritmo dos outros.   Separei-me do grupo quando frequentava o segundo ano. No ano académico de 2017 frequentei o quarto ano e o meu aproveitamento,  estudando sozinha, foi sempre positivo”, argumenta a estudante.
Os estudantes foram unânimes em defender a preservação do complexo por constituir património público e o “espelho” da província da Huíla.

Acelerar o realojamento

A aceleração  do realojamento das 100 famílias que ainda residem no Complexo Turístico e Desportivo de Nossa Senhora do Monte foi defendida pelo administrador do complexo.
 Existe no Complexo um bairro que surgiu por causa da guerra. “Devido à guerra, as populações fugidas dos municípios do norte da província, vieram e não houve o cuidado de terem sido enquadradas em locais mais dignos e construíram no interior do perímetro do complexo", disse Fernando Moutinho.
As cem  famílias que ainda vivem no complexo foram já registadas. As autoridades administrativas locais já trabalham para que a transferência das famílias seja realizada com êxito.
Fernando Moutinho disse existir um projecto para construir no complexo e no local onde foram construídas as residências de forma desordenada um jardim botânico.
No jardim botânico vão ser plantadas  espécies oriundas de todas províncias do país. “Vamos ter a catalogação de todas espécies e a sua origem. Vamos procurar fazer a descrição das plantas que vierem das outras províncias. Queremos ter este jardim devidamente instalado”, referiu Fernando Moutinho.
O administrador do Complexo Turístico de Nossa Senhora do Monte preconiza a alocação de um orçamento específico para a gestão do espaço, destino de milhares de turistas.
O contributo do complexo para os cofres do Estado é fundamental. Para que tal facto seja uma realidade, deve haver mais investimentos. “Não temos verba nenhuma. Sobrevivemos de pequenas cobranças que fazemos nas pequenas infra-estruturas e restaurantes que existem”, disse Fernando Moutinho, para acrescentar: “Temos de ter geladarias, um carrossel permanente,  animais de pequeno porte e protegidos, precisamos de criar serviços que atraiam mais  pessoas, fundamentalmente os jovens que precisam de diversão”, disse Fernando Moutinho.
Existem no perímetro hotéis de duas e de quatro estrelas, um campo de futebol, dois casinos (casino da Nossa Senhora do Monte e do Quimbo do Soba). Está ainda disponível   uma discoteca e vários recintos desportivos, com destaque para os três pavilhões multiusos, campos de ténis, voleibol, pista de karting, pista para desporto automóvel, na qual se realizam todos os anos os 200 Km da Huíla.

Animais na floresta protegida

O polígono florestal do Complexo Turístico de Nossa Senhora do Monte é protegido,  disse o administrador complexo Fernando Moutinho. “Neste momento existem dois bandos de macacos de várias espécies, num total  de 120 animais que são alimentados e tratados pela administração do complexo”.

Coisas a mais
Fernando Moutinho reconheceu haver no  perímetro "algumas coisas a mais". Na área,  onde  existem três "lodges", está também instalada a Capelinha de Nossa Senhora do Monte. 
“É uma série de infra-estruturas em que há uns anos estávamos até interessados, pesquisámos e não conseguimos encontrar um outro espaço tão pequeno com tantas infra-estruturas”, disse.

Novos bancos comerciais
As transacções bancárias na zona do Complexo Turístico de Nossa Senhora do Monte vão ser dinamizadas, quando forem instaladas novas agências bancárias.
Fernando Moutinho disse que a movimentação de pessoas no complexo é quase permanente. Já existe uma agência do Banco de Poupança e Credito (BPC), mas existe um projecto que visa a instalação de mais dois bancos, por ser uma área onde também se realiza, todos os anos, a maior bolsa do sul de Angola, vulgarmente conhecida por Expo-Huíla.
 No local  está instalada  a Cooperativa dos Criadores de Gado do Sul de Angola, que realiza anualmente uma Feira do Gado. "É aqui no complexo que se realizam as festas de Nossa Senhora do Monte, com a instalação da feira e  outros atractivos”.
No complexo  está instalada a maior piscina da região Sul do país.
 
Requalificação feita

 Há sete anos houve uma requalificação do Complexo Turístico de Nossa Senhora do Monte. Com o trabalho de requalificação, vedou-se a parte interior toda, que apanha a floresta.
Com o trabalho realizado, a área do perímetro foi quase toda iluminada, o que permite dar um outro panorama no período nocturno.
“Eram sítios abertos mas a ideia de vedar os espaços era para os rentabilizar. Só que não temos conseguido rentabilizar, porque a vedação não é apropriada para evitar a entrada livre de pessoas.”