Reportagem

Novas espécies de aves e peixes descobertas no Cuando Cubango

Os recursos animais e florestais existentes ao longo do rio Cubango, que nasce na província do Huambo e desaparece no Botswana, numa extensão de aproximadamente 3.300 quilómetros, estão a deixar impressionada a equipa da National Geographic Society, que está a trabalhar na pesquisa de novas espécies para futuros estudos científicos. 

Percorridos 400 quilómetros, da Chicala Cholohanga (Huambo) até ao Cuvango (Huíla), a expedição descobriu 16 novas espécies de aves e 14 de peixes, que foram enviados para os laboratórios da África do Sul para certificação. No percurso foram encontradas também duas zonas húmidas, importantes para a conservação da água.
O rio Cubango, que desaparece no Botswana, onde forma uma enorme lagoa e das mais bonitas paisagens turísticas do país, o Delta do Okavango, atravessa as províncias do Bié, Huíla, Cuando Cubango e a  Namíbia, sendo considerado, a par do rio Cuíto (que nasce no Bié) c o pulmão do projecto turístico internacional Kavango-Zambeze (Kaza), a julgar pelas suas belezas naturais e zonas paisagísticas.
Steve Boyes, chefe da equipa da National Geographic, disse que o rio Cubango pode ser considerado um dos melhores de África ou do mundo em termo da conservação da biodiversidade e água bastante limpa.
Steve Boyes explicou que o rio continua no seu estado natural em condições muito aceitáveis desde a nascente na província do Huambo até ao município do Cuvango, o que não acontece com muitos rios explorados pela National Geographic por este mundo fora, devido à influência do homem: "Aqui a realidade é outra e as espécies estão bem protegidas."
A equipa da National Geographic teve oportunidade de ver o que nunca tinha visto antes, desde uma vasta população de animais saudáveis, como hipopótamos, jacarés, peixes, aves e até sitatungas,  estes últimos em via de extinção em muitos países.
“Daí  o nosso reconhecimento pela grande importância deste rio para a promoção do turismo em Angola, tendo em vista que até ao final desta expedição vamos descobrir  novas espécies de animais, plantas, áreas húmidas e zonas paisagísticas”, afirmou Steve Boyes, para quem não é exagero dizer que o rio Cubango em Angola tem condições inestimáveis para a promoção do turismo, que pode  ajudar, no futuro, o Executivo na arrecadação de receitas para impulsionar o desenvolvimento das  comunidades.
“Devido às múltiplas vantagens encontradas em apenas 400 quilómetros,  apelidámos o rio Cubango de “torre do Okavango”, porque vimos que é um curso que consegue conservar a água no seu estado natural, apesar de existirem nas suas margens muitas comunidades, para as quais o Governo Provincial deve criar politicas de apoio para que no futuro não comprometam esta proeza.”  
A National Geographic Society colocou-se à disposição do Executivo   para transformar o rio Cubango num dos melhores pontos turísticos do mundo, uma vez que tem um potencial capaz de atrair muitos turistas estrangeiros.
Nesta expedição, a National Geographic conta com uma equipa composta por 99 membros, dos quais 33 angolanos, com cientistas, biólogos, repórteres de imagem, operadores de desminagem e pessoal administrativo.

Desafios enfrentados

 
Steve Boyes referiu que a primeira fase de expedição, apesar dos êxitos alcançados pela sua equipa, ­enfrentou muitos desafios desde a nascente do rio Cubango até ao município do Cuvango, devido às baixas temperaturas que nesta época do ano se fazem sentir nas províncias do Huambo, Bié, Huíla e Cuando Cubango, onde chegam a baixar para cinco graus celsius.
Outra situação foi a dificuldade da circulação do rio devido às cachoeiras, rochas, troncos de árvores, rápidos, caminhos estreitos e o elevado número de hipopótamos que só permitia percorrer apenas dois a cinco quilómetros por dia.
No município do Cuvango há muitas rochas e cachoeiras, o que fez com que a expedição, que começou no dia 9 de Maio, chegasse à sede municipal do Cuvango apenas no dia 6 do corrente mês.
Por este facto, foi feito um levantamento de helicóptero ao longo do rio e constatou-se que os trabalhos tinham de ser retomados no dia 9 de Junho na comuna do Caiundo,  a 135 quilómetros da cidade de Menongue,  que permite melhor circulação até ao delta do Okavango, no Botswana.
A expedição do rio Cubango, explicou Steve Boyes,  termina no município de Dirico, de onde, até ao delta do Okavango, já se realizou o mesmo trabalho e já se conhece a biodiversidade.
 
 Protecção da biodiversidade


Steve Boyes acrescentou que a National Geographic está a trabalhar para recolher de forma urgente e eficaz os dados de investigação e de levantamento necessários para  estudar todos os mecanismos das áreas de elevado valor de conservação para a protecção da biodiversidade.
Hoje em dia a coisa mais importante no mundo é o desenvolvimento sustentável da biodiversidade, para que no futuro se evitem muitas consequências negativas na natureza, como o  aquecimento global, os tsunamis, as chuvas e tempestades fortes, conforme já se verifica em alguns países dos continentes americano e asiático.
“A nossa principal tarefa, como membros da National Geographic, é trabalhar no sentido de criar condições e instrumentos que possam chegar ao Executivo, através do Ministério do Ambiente, que vai permitir reforçar o desenvolvimento sustentável da biodiversidade do país”, disse Steve Boyes.
Na sua visão, se o Executivo criar políticas correctas de protecção e conservação da biodiversidade, sobretudo dos rios, Angola vai ter água suficiente para beneficiar a população durante milhares de anos.
A equipa da National Geographic já realizou pesquisas científicas nos rios Cuito e Cuanavale durante o ano de 2015 e de 2016, onde foram descobertas dezenas de novas espécies de peixes, aves, insectos, répteis e  plantas.
   
Criação de parques


O chefe da expedição, Steve Boyes, disse que  as pesquisas científicas feitas durante os anos de 2015 e de 2016 ao longo do rio Cuito, que abrange as províncias do Bié, Cuando Cubango e do Moxico, numa extensão de cerca de dois mil quilómetros, oferecem excelentes condições para a criação de um parque nacional.  
O chefe da expedição da National Geographic Society disse que  constatou grandes evidências que conduzem a sugerir a criação de um parque nacional, tendo em vista que existe uma vasta população de animais, com realce para o hipopótamo, crocodilo, elefante, leão, palanca real, búfalo, sitatunga e chita.
A equipa da National Geographic está disposto a providenciar todas as informações indispensáveis ao Ministério do Ambiente que espelham todas as evidências para a criação do parque, uma mais-valia para reforçar o sector do turismo em Angola.
“Daquilo que tive a oportunidade de viver durante a expedição no rio Cuito, cuja nascente está na província do Bié e que tem uma extensão de mais de dois mil quilómetros até ao município do Dirico (província do Cuando Cubango), apurei que existem  condições excelentes para se criar um novo parque nacional em Angola, tendo em conta a quantidade de água existente que permite uma melhor circulação de animais nesta área”, destacou Steve Boyes.

Principal riqueza

O administrador municipal do Cuvango, Luís Miguel, sublinhou que a população da sua área de jurisdição tem a bacia hidrográfica do rio Cubango como a principal fonte de riqueza, tendo em vista que nela se pode encontrar uma rica fauna e flora diversifica, assim como outros recursos naturais para a implementação de projectos agro pecuários e industriais.
O rio permite a construção de centrais hidroeléctricas, pois as cascatas e os rápidos  podem gerar energia. Luís Miguel disse que até agora só existe ao longo do rio Cubango  uma central hidroeléctrica, uma fábrica de cerâmica e algumas fazendas, mas não funcionam porque foram destruídos durante a guerra.
“Agora que estamos em paz é preciso trabalhar para reactivar estes projectos e criar outros para que possamos aproveitar o grande potencial hídrico que o rio Cubango oferece”, disse Luís Miguel.
Por este facto, a Administração Municipal de Cuvango não vai poupar esforços no sentido de prestar apoio para que a expedição alcance o êxito desejado. Luís Miguel encorajou a equipa da National Geographic a continuar com o mesmo empenho e dedicação, uma vez que vai trazer muitos benefícios para o país e ao município do Cuvango em particular que tem uma extensão territorial de 9.680 quilómetros quadrados e  uma população estimada em 78.543 habitantes.

Biodiversidade
 
O cônsul da Namíbia nas províncias do Bié, Cuando Cubango, Huambo e Moxico, Lucky Gawanab, que testemunhou a chegada da equipa da National Geographic ao município do Cuvango, disse que as pesquisas científicas vão permitir ao seu país, a Angola e ao Botswana terem um melhor conhecimento daquilo de que dispõem em termos de biodiversidade, no quadro do projecto da bacia hidrográfica do Okavango.
A  expedição oferece  a oportunidade de as instituições da hotelaria e do turismo dos três países  integrarem a bacia hidrográfica do Okavango e trabalhem para que se criarem políticas de sustentabilidade para as comunidades rurais.
“Por este facto, os Estados membros devem continuar a financiar e dar todo o suporte necessário para permitir que se realize na verdade um trabalho aturado para sabemos quais são os principais recursos que podemos encontrar ao longo do rio Cubango”, defendeu Luís Miguel.
Neste projecto deve dar-se uma maior atenção ao envolvimento da juventude, sobretudo dos cursos de Ciências Biológicas, para que no futuro possam ser eles a dar  continuidade à investigação científica noutras áreas dos recursos naturais.