Reportagem

Obras de macrodrenagem melhoram a vida da população do Capalanga

As obras de drenagem da Lagoa do Kinda, em Viana, a cargo da construtora chinesa CR20,vão ser concluídas no final do presente mês. A população do bairro Capalanga já comemora as melhorias do projecto.

Iniciado em Junho, o projecto consiste na construção de um canal de 4,5 quilómetros para escoar a água da Avenida Deolinda Rodrigues e da Lagoa do Kinda para o rio Mulenvos e resolver, de vez, o problema da falta de drenagem das águas da chuva numa das mais importantes vias da província de Luanda.

Em plena época chuvosa, Maria Domingos, moradora do bairro Capalanga, lembra o passado difícil e reconhece “o grande trabalho feito” pela construtora chinesa que conseguiu evitar que as casas inundassem e, ao mesmo tempo, melhorar a circulação rodoviária, através da reparação de estradas secundárias e terciárias no bairro.
“Antes, com uma chuva, como estas que caíram, estas casas todas já estariam inundadas, também tinha muitas ravinas e em muitas ruas não se passava, por causa da água”, recorda a moradora, que considera a obra um ganho para a comunidade do bairro Capalanga.
Guilherme Trindade, que faz trabalho de táxi no bairro Capalanga há mais de seis anos, considera ter sido feita uma revolução quase a cem por cento, a julgar pelo trabalho feito em várias ruas. “No passado, era lama e quantidades de água à mistura. Muitos carros acabaram por se estragar devido à degradação das estradas.”
Quem também corrobora com Guilherme Trindade é Maria dos Prazeres, residente no bairro há quatro anos. Hoje, com a vida facilitada, prefere esquecer o drama que passou para sair de casa até à paragem do táxi.
“Foi difícil e não via a hora daquele sofrimento acabar”, desabafa, lembrando que tinha de acordar às 5h00 e caminhar a pé, entre lama e lagoas, para apanhar táxi na via principal. Para piorar, as motos (kupapatas) não circulavam pelo bairro e os taxistas, devido ao mau estado das ruas, não aceitavam passar próximo da sua casa, mesmo sendo numa via principal, em função do mau estado da estrada. “Os kupapatas, também, não circulavam aqui”, lamentou.
O estudante universitário Clemente António também lembra momentos difíceis vividos no bairro. Depois de viver parte da infância e adolescência no Bairro Popular, os pais decidiram residir no Capalanga. “Na altura, era estudante do segundo ano do curso de Relações Internacionais na Utanga. Os táxis eram muito difíceis. A minha vida era chorar e implorava ao meu pai para regressarmos ao Bairro Popular”, lembra, reconhecendo o “excelente trabalho” realizado no bairro, que “melhorou a vida” de quem reside no Capalanga.
Residente no Capalanga há 10 anos, António Domingos conta que, nalguns pontos, a circulação com carro era impossível. “Este trabalho trouxe grandes melhorias”, exalta, para acrescentar: “não temos dúvidas de que se tratou de um trabalho de terraplanagem profundo, porque, mesmo chovendo, as ruas continuam intactas. Agora, é importante que se faça manutenção das ruas todos os anos, para evitar a degradação”.
Administração aplaude
A administradora do Distrito Urbano de Viana não tem dúvidas: o trabalho de construção do canal de drenagem das águas e de reparação das vias terciárias do bairro representam um ganho para a comunidade do Capalanga.
Julieta Ngueve recordou que, no passado, o acesso às principais vias estava praticamente obstruído, devido à quantidade de água da chuva que criava, em alguns pontos, erosão da terra. Hoje, admite, a circulação rodoviária nas principais ruas e vias terciárias do bairro faz-se com normalidade, mesmo em época chuvosa.
A administradora lamentou, por outro lado, que algumas moradias tivessem sido construídas em áreas de passagem de água das chuvas, daí a razão de ficarem submersas em épocas chuvosas, levando mesmo famílias a abandonarem as casas.

Ravinas estancadas
Além da drenagem das águas e das vias de acesso, uma das grandes preocupações das autoridades eram as ravinas no Capalanga. Para travar a rápida progressão do fenómeno, que ameaçava engolir casas, a Administração do Distrito de Viana contactou a empresa CR20 que, prontamente, acedeu ao pedido. A custo zero, fez todo o trabalho de terraplanagem e tapa-buracos, além do estancamento da erosão dos solos.
“Contactámos o Instituto Nacional de Estradas de Angola (INEA), responsável pela obra da vala de drenagem, que está a ser executada pela construtora CR20, no sentido de a empresa chinesa reparar algumas obras. Felizmente, o pedido foi aceite e, em pouco tempo, foi feito o trabalho”, notou a administradora do Distrito Urbano de Viana.
“O benefício do trabalho feito pela CR20 é notório. É só vermos que as pessoas estão a passar livremente, de contrário, seria difícil circular nesta área”, precisou.
As melhorias das condições no bairro Capalanga são vistas como o cumprimento de uma das promessas do governador de Luanda, Sérgio Rescova, quando tomou posse, em Janeiro. O governador assegurou, na altura, que iria reforçar a atenção aos “subúrbios, ‘musseques’ e zonas periféricas” da província com “pequenas iniciativas, mas com impacto e duradouras”.
Sérgio Luther Rescova disse que um dos focos do seu trabalho recaía para a melhoria da limpeza e saneamento básico, das estradas secundárias e terciárias, bem como do sistema de drenagem das águas das chuvas. “As administrações devem assumir o seu papel devido, isto é, estar ao serviço do cidadão em primeira instância. Se assim não for é legítimo e normal que o cidadão de Luanda entenda que a solução dos seus problemas está no governo provincial”, disse Sérgio Rescova.

Governador constata obras
Em finais do mês passado, o governador da província de Luanda, Sérgio Luther Rescova, visitou as obras de macro- drenagem da Lagoa do Kinda e notou a evolução do projecto que consiste na construção de canais de água a céu aberto, no espaço que vai da Lagoa do Kinda e algumas zonas do bairro Capalanga.
O director da empresa chinesa CR20, Zhang Guoxu, responsável pela obra, explicou que o trabalho estava já direccionado para a construção dos corpos principais da infra-estrutura,para que a água das chuvas deixe de invadir as casas.
O coordenador pela fiscalização, André Bandazi, realçou que o projecto prevê a colocação de protecções em volta do canal, para salvaguardar a integridade física dos moradores. A obra faz parte de um processo amplo da macro- drenagem que está a ser realizado a nível da Avenida Deolinda Rodrigues.

Construção da macrodrenagem em fase de conclusão

Lagoa do Kinda
A obra de construção da nova drenagem da Lagoa do Kinda possui uma extensão total de 4.515 metros, dividida em canal aberto (1.860 metros) e galeria, atravessadas por vias terciárias. A construção arrancou em Junho e deve estar concluída no final deste mês.
Depois de concluída, a obra vai permitir o livre escoamento da água estagnada na Avenida Deolinda Rodrigues e da Lagoa do Kinda para o rio Mulevos. Fica também resolvido o problema da falta de drenagem no bairro Capalanga, contribuindo assim para facilitar a circulação interna, dar comodidade aos moradores dos bairros vizinhos e melhorar, também, as condições de habitabilidade da população.

Drenagem da Deolinda Rodrigues
Na Avenida Deolinda Rodrigues, os trabalhos de macro-drenagem começaram no Canal do Cazenga, nas imediações da FTU, e terminam na zona da BCA, numa extensão de 2.538 metros. O objectivo é acabar com as inundações que se verificam na via e arredores, na época chuvosa, aliviar a pressão do tráfego e facilitar a passagem da população.
A obra foi realizada em duas fases: a primeira, iniciada em Maio do ano passado e terminada depois de cinco meses, com a construção do troço Canal do Cazenga/Inea, numa extensão de 1.833 metros. A segunda parte começou em Maio deste ano e deve estar concluída este mês. Os trabalhos incidem na construção de uma linha de drenagem de 705 metros de extensão.
O objectivo do projecto é de solucionar o problema de escoamento das águas duma área de 3.915.913 metros cúbicos, ao redor da estrada principal. No troço, não havia sistema de drenagem. Quando a chuva caía, a água se acumulava na estrada e a circulação era muito difícil. Neste momento, o novo sistema de drenagem já entrou em funcionamento e os especialistas garantem que não haverá acúmulo de água nos dias chuvosos, o que resolve completamente o problema de dificuldades de drenagem.
A zona da Lagoa do Kinda, do Capalanga e da Avenida Deolinda Rodrigues (no troço Canal do Cazenga/BCA) constavam dos registos da Comissão de Protecção Civil da província de Luanda como áreas com possíveis riscos de inundações, durante a época chuvosa, nos arredores da cidade capital.

Responsabilidade social
Além das obras de construção, a CR20 construiu e melhorou cerca de 14 quilómetros de vias para os moradores, fez doação de mochilas, materiais escolares e material desportivo aos colégios do bairro. A empresa levou, igualmente, uma equipa médica chinesa, que realizou consultas gratuitas a estudantes.

Várias obras e projectos

Uma das principais construtoras da China e com mais de 70 anos de existência, a CR20 executou diversas obras de destaque em Angola. A partir de 2004, deu início à reconstrução e modernização dos Caminhos de Ferro de Luanda (CFL) e de Benguela (CFB).
Na linha do CFB, os 1.344 quilómetros de linha férrea, entre o Lobito e o Luau, estão preparados para atender o fluxo de passageiros e mercadorias durante os próximos anos e tornar o CFB num corredor internacional, que liga dois oceanos: o Índico e o Atlântico, atraindo a atenção de toda a África.
Durante os 10 anos da empreitada, mais de cinco mil funcionários chineses e 20 mil construtores angolanos estiveram envolvidos na obra. Depois de uma destruição total provocada pela guerra, os comboios do CFB voltaram, em 2015, a circular do Lobito ao Luau, quase 30 anos depois, graças à reabilitação e modernização dos Caminhos-de-Ferro de Benguela. A empreitada foi adjudicada, em Janeiro de 2006, à construtora CR-20, com um custo estimado em 1,83 mil milhões de dólares, financiados pela Linha de Crédito da China.
A construtora foi ainda responsável, entre outras obras, pela Via Expressa Fidel Castro, viadutos do Kilamba, Zango, Unidade Operativa, aeroportos Joaquim Kapango, no Cuito, e do Luau (Moxico). Do “curriculum” da empresa, constam, igualmente, estradas nacionais, obras de abastecimento de água e habitações, além do pavilhão multiusos do Dundo, na Lunda-Norte.