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Solos férteis na Huíla atraem investidores

Os solos agricultáveis e com condições para desenvolver a produção em zonas irrigáveis e de sequeiro da província da Huíla continuam a atrair empresários locais e de outros pontos do mundo.

As acções da empresa agropecuária Jardins da Yoba, situada no município da Chibia, a 45 quilómetros da cidade do Lubango, são hoje uma referência por, além do cultivo de cereais, leguminosas e citrinos, apostaram na reprodução de sementes de batata rena e de milho.
O sócio-gerente da Jardins da Yoba, Paulo Amaral, explicou ao Jornal de Angola que o propósito é criar condições adequadas para a reprodução de sementes em vários pontos do país, que tenham a patente nacional e com qualidade igual ou superior das importadas.
A empresa explora 600 hectares de terras aráveis, tendo incluído há sensivelmente três anos a produção de sementes de cebola, feijão, assim como a criação de gado bovino, caprino e suíno.
Paulo Amaral anunciou que foram investidos 15 mi­lhões de dólares nas acções relacionadas com o alargamento de espaços, desmatação, preparação de solos, aquisição de equipamentos diversos, recrutamento e formação do pessoal entre outros. “Foi uma mais-valia a aquisição de pivôs que nos permitem regular a rega das plantas”.
Paulo Amaral, diz-se pre­ocupado com a reprodução de sementes nacionais e consi­dera que o aumento da actividade agrícola à escala in­dustrial de modo a se atingir a auto-suficiência de alguns alimentos, passa também pela aposta séria no processamento de sementes.
“A produção de sementes nacionais aliviam os gastos dos Estado e podem assegurar com maior eficácia a qualidade das sementes ao ponto de permitir que seja possível se efectuarem mais de uma colheita da mesma lavoura”, disse, para descrever que a maior parte das sementes ainda continua a ser importada.
A carência de sementes nacionais representa um dos motivos para apostar mais nesta área. “Agora estamos em condições de minimizar as preocupações dos produtores com o fornecimento de sementes”, disse.
O agricultor defendeu o alargamento a vários pontos do país da reprodução de sementes para que a importação seja apenas nas quantidades necessárias. “Estamos em condições de fazer parte das empresas fornecedoras de sementes aos agricultores”, referiu.
Foram já colhidos, disse Paulo Amaral, mais de mil toneladas de sementes de batata rena e 400 toneladas de cebola. Estão igualmente a ser processadas acima de 30 toneladas de sementes de milho para responder às solicitações dos produtores nos vários ciclos agrícolas.
“Queremos dar prioridade à produção de sementes de várias culturas para conseguirmos criar bases para reduzir ou eliminar as importações”, afirmou, para mais uma vez descrever que a agricultura à escala industrial deve primar por gérmens nacionais.

Nova produção
Na presente campanha agrícola são produzidos 150 hectares de sementes de milho e 125 hectares de sementes de batata rena. “Não temos razões de queixa quanto a água por estarmos a utilizar pivôs que estão a irrigar cerca de 150 hectares”, referiu.
Às autoridades competentes solicitaram maior apoio ao sector agro-pecuário, no­tadamente, a subvenção dos combustíveis e lubrificantes, disponibilidades de mais equipamentos mecanizados, criação de incentivos que protejam e estimulem a produção nacional.
“O Estado e as suas áreas afins devem criar mecanismos que visam a redução da importação de certos produtos do campo, quando obtiver dados satisfatórias que conformam a abundância da batata rena, hortofrutícolas, milho e outros alimentos necessários à cesta básica”, sublinhou.
Jardins da Yoba, fundada em 2014, com uma moageira industrial, além de se dedicar à agropecuária, produz ovos e projectou alargar a sua actividade ao mel.
Prevê atingir nesta primeira fase quatro toneladas e meia de mel, até finais deste ano. Foram instaladas 150 colmeias.
“Contamos com um equipamento moderno para que a produção seja em grande escala e, posteriormente, se possa processar, embalar e escoar para vários pontos do país”, disse, revelando que na fase inicial, foram colhidos 300 litros de mel.

Nova produtora
A Fazenda Agrikuvango é a mais nova empresa a experimentar o cultivo de milho. Utiliza tecnologia sofisticada, mas a precisar de um impulso no que tange ao fornecimento de combustíveis e lubrificantes.
Os dados, a que o Jornal de Angola teve acesso, atestam que na povoação da Mema, a 32 quilométricos da sede do município do Cuvango, 325 quilómetros a leste da cidade do Lubango, a produção pode ser desenvolvida sem sobressaltos, com o auxílio dos seis pivôs.
Com esse equipamento, está assegurada a rega de trezentos hectares. Vai igualmente ser construída uma represa para armazenar 270 milhões de litros de água para cobrir as necessidades na época do Cacimbo.