Reportagem

Tartarugas e lagartos em risco de extinção

O aquecimento global está a ter grande impacto nas populações de tartarugas marinhas e lagartos em várias regiões do Planeta, prevendo-se que várias espécies destes animais venham a desaparecer nos próximos anos, devido às alterações climáticas.

No caso das tartarugas marinhas, o que se passa nalguns países, nomeadamente em Cabo Verde, é que, devido à subida das temperaturas, verifica-se uma tendência para o nascimento de crias só de um sexo.

A temperatura da areia onde as tartarugas depositam os ovos determina se nascem mais machos ou fêmeas. Sendo elas mais frescas, dá-se o primeiro caso; se mais quentes, acontece o contrário, mais fêmeas que machos.
De há uns tempos a esta parte, alguns biólogos assinalaram o aumento do número de tartarugas marinhas nos oceanos, devido, sobretudo ao aumento dos programas de conservação da natureza, a uma maior consciencialização da sociedade em relação ao consumo da carne e ao comércio de carapaças, e ao endurecimento das medidas de preservação ambiental.
Isso levou a que a caça de fêmeas para aproveitamento da carne e o consumo de ovos diminuísse.
Em Angola, o Projecto Kitabanga, de Conservação de Tartarugas Marinhas, afecto ao Departamento de Biologia da Faculdade de Ciências da Universidade Agostinho Neto, implementado desde 2003, com a anuência do Ministério do Ambiente, e que actua numa área de 55,5 quilómetros distribuída pela região do Soyo, Kissembo, Palmeirinhas, Sangano, Longa, Cuio e Manono (Bentiaba), cerca de 3,4 por cento da costa do país (1650 quilómetros de extensão), permitiu o encaminhamento para o mar de vários milhões de pequenas tartarugas.
Agora, nota-se que o aumento do número de fêmeas pode ter a ver com o aquecimento global e que, segundo um estudo publicado em Julho último na revista “Marine Ecology Progress Series”, intitulado “Estimativas de níveis elevados de fêmeas para a terceira maior agregação mundial de tartarugas marinhas”, a continuar esta situação, em 2100, um total de 99,86 por cento das tartarugas em Cabo Verde serão fêmeas.
Para que as tartarugas marinhas nasçam na mesma proporção entre machos e fêmeas, a temperatura da areia deve ser de 29,25 graus centígrados. Ora, as temperaturas da areia em Cabo Verde andam numa média de 30 graus centígrados para praias de areia clara e 31,9 para praias de areia escura, do que resulta num desequilíbrio e 84,33 por cento das crias sejam do sexo feminino.
Devido à elevada taxa de mortalidade, seja por predadores naturais, como as aves, lagartos e peixes, quando ainda pequenas, ou tubarões, na idade adulta, seja devido à pesca ilegal ou a capturas acidentais (redes de pesca e anzóis matam cerca de 40 mil exemplares por ano) ou ainda devido ao lixo nos oceanos e ao desenvolvimento costeiro nas áreas de nidificação, e à maturação tardia das espécies, as tartarugas marinhas, este réptil, que está neste planeta há cerca de 120 milhões de anos, vagueia pelos oceanos, orientando-se pelos campos magnéticos, que conviveu com os dinossauros, põe cerca de 120 ovos de cada vez, e pode chegar aos 300 anos de vida, corre sérios riscos de extinção.
As tartarugas marinhas, cujo Dia Mundial é 16 de Junho, são deveras importantes, pois ajudam a manter a saúde dos oceanos e trazem grandes benefícios para os seres humanos. Elas são consideradas engenheiras do mar, devido à sua influência e acção sobre os recifes de coral, bancos de algas marinhas e substratos arenosos do fundo oceânico. Das sete espécies existentes no Mundo, cinco estão ameaçadas de extinção.

Lagartos ameaçados

Quanto aos lagartos, dos quais a maioria das pessoas pergunta sempre para que servem, embora os biólogos realcem a sua importância nos ambientes em que vivem e a grande importância para os seres humanos, seja na fertilização dos solos, seja no controlo de doenças e de pragas, estudos recentes apontam que o aumento das temperaturas provocado pelas alterações climáticas pode vir a pôr em risco a sua sobrevivência.
Até 2080, um quinto das espécies de lagartos do mundo pode estar extinto devido ao calor. Repetidos estudos realizados em regiões de altas temperaturas nos cinco continentes vêm revelando um decréscimo do número destes répteis, que se vêem obrigados a sair cada vez menos das tocas em busca de comida, e a voltarem para a protecção da sombra, sem terem tempo para a reprodução.