Sociedade

Actividades laborais continuam suspensas

Sessenta e nove dias são passados desde que a direcção da empresa Nov/Tuboscope, sediada na Base petrolífera da Sonil, em Luanda, comprometeu-se em satisfazer as exigências dos trabalhadores que consistem essencialmente no reajuste cambial à luz da Lei 2/12, aplicada ao sub-sector petrolífero.

Hoje, trabalhadores daquela empresa, exibindo cartazes, com dizeres “queremos o nosso dinheiro”, manifestaram-se em frente ao portão principal da Base da Sonil para exigir da direcção a resolução das reivindicações apresentadas em 2014.
Pedro Mateus, segundo secretário da Comissão Sindical da empresa, disse ao Jornal de Angola, que a paralisação das actividades laborais vai continuar até que a entidade empregadora resolva as reivindicações apresentadas pelo sindicato do ramo.
O sindicalista afirmou que numa reunião realizada em Setembro deste ano com a direcção da empresa, foi elaborada uma acta/compromisso, em que a representante da empresa comprometeu-se em cumprir com as exigências dos trabalhadores.
“Depois de aturadas discussões, a representante da Nov/Tuboscope comprometeu-se em efectuar o pagamento dos salários indexados ao dólar, ao câmbio actualizado, facto que até hoje não aconteceu”, disse Pedro Mateus.
O líder sindical afirmou ainda que na mesma reunião, em que participaram representantes do Ministério dos Recursos Minerais e Petróleos, Inspecção Geral do Trabalho, a representante da empresa comprometeu-se ainda em pagar os retroactivos de dois anos em oito meses.
“A implementação poderia compreender oito prestações, sobre três acumulados, até Maio de 2020, tendo Colen Carr, directora Regional de Recursos Humanos, assumido em negociar os moldes de pagamento dos retroactivos, para o dia 19 de Setembro, em local que devia ser indicado pelas partes”, disse Pedro Mateus. Na reunião do dia 18 de Setembro de 2019, concluiu-se também o cancelamento de qualquer operação de substituição de trabalhadores grevistas por novos.
Das recomendações saídas do encontro, a mediação elucidou aos representantes da entidade empregadora, o cumprimento dos pontos abordados, sob pena de punição nos termos da lei.
Que a empresa deve evitar qualquer tipo de retaliação contra os trabalhadores, no âmbito do processo de greve em curso, e que as partes devem privilegiar o diálogo permanente, com vista à manutenção da harmonia e paz social na empresa, consta das recomendações.
O Jornal de Angola contactou, ontem, via telefónica, o director dos Recursos Humanos da Nov/Toboscope, Ernesto Puati, que não teceu nenhum comentário, relegando o assunto para o Gabinete de Comunicação Institucional da empresa.
“Não estou autorizado a falar sobre o assunto. Por outro lado, os integrantes do gabinete de imprensa da instituição encontram-se na sede regional da empresa baseada na África do Sul”, disse Ernesto Puaty.