Sociedade

Angola está longe de ter sistema eléctrico robusto

Angola não tem ainda técnicos em quantidade desejá-vel para assegurar um sistema eléctrico robusto, afirmou, ontem, em Luanda, o porta-voz da Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE).

O engenheiro Pedro Bila respondia a uma pergunta relacionada com os constrangimentos registados pela empresa pública e que estão na origem dos cortes que ainda ocorrem no processo de distribuição de energia eléctrica no país.
“É como se a senhora jornalista estivesse a perguntar quando deixará de morrer alguém em Angola”, comentou o engenheiro Pedro Bila, antes de responder em concreto a pergunta sobre para quando o fim dos cortes de energia em Luanda.
Uma outra razão apontada por Pedro Bila é o facto de, em Angola, não se fabricar nada electrónico, incluindo cabos. “Quem pode gerir bem assim?”, interrogou Pedro Bila, lembrando que “a maioria da população não sabe usar a energia correctamente”, referindo-se implicitamente à sobrecarga na rede, em alguns períodos do dia, sendo esta uma outra razão dos constrangimentos.
Pedro Bila informou que a ENDE procura parceiros internos para “investir na aquisição de contadores” para os clientes do sistema de consumo pré-pago de energia eléctrica, uma preocupação resultante da falta de reposição de stocks, por não haver ultimamente cambiais para a importação de contadores e outros equipamentos do sistema pré-pago.

Carteira de clientes
Mais famílias vão beneficiar de energia eléctrica em Luanda, onde está em curso um projecto de electrificação, financiado pela linha de crédito da China, que disponibilizou 675 milhões de dólares. Os beneficiários são 337.500 famílias. O projecto prevê a instalação de mil postos de transformação de energia e nove  subestações, devendo  o trabalho ficar concluído em 24  meses.