Sociedade

Educação atenta à parceria com empresas para estágios

O secretário de Estado da Educação disse ser uma “batalha” para o sector persuadir as entidades empregadoras, de modo a privilegiarem estágios a jovens recém-formados nas escolas do ensino médio técnico-profissional.

Em declarações ao Jornal de Angola, depois do encerramento da feira nacional dos institutos politécnicos, realizado de 10 a 12 deste mês, em Luanda, Jesus Baptista assegurou que há possibilidade de se criar alguma compensação às empresas que manifestarem abertura em acolher estagiários.
Sobre as inovações tecnológicas apresentadas no evento, admitiu que o Ministério da Educação quer ver alguma continuidade e sustentabilidade dos trabalhos expostos.
“Conseguimos congregar vários alunos do ensino técnico-profissional das províncias, que permitiu uma interacção entre eles. Os projectos podem de alguma forma servir o país”, observou, para referir que está demonstrado haver alguma qualidade nos alunos e nas escolas.
Ao reconhecer que os projectos tecnológicos são realizados em função da capacidade dos professores na transmissão do conhecimento, habilidade e ética, Jesus Baptista disse que a feira foi um espaço de convergência de ideias e de reflexões à volta das preocupações vividas nas escolas e no próprio subsistema do ensino técnico-profissional.
“Tivemos a oportunidade de recolher as opiniões que, de certa forma, vão engrandecer o trabalho futuro do sector, particularmente do ensino técnico”, acrescentou o secretário de Estado.
Sob o lema “construindo o futuro, olhando para a formação técnica do presente”, a feira teve como finalidade mostrar aos agentes educativos, a comunidade empresarial e ao público em geral as capacidades desenvolvidas no ensino técnico-profissional. Do mesmo modo, visou dar visibilidade aos vários processos que ocorrem em diferentes escolas técnicas do país, que são um pilar fundamental para a promoção da empregabilidade.

Vencedores

O Instituto Médio Agrário de Malanje classificou-se em primeiro lugar com o projecto de uma compostagem industrial. A aluna Elisa Pedro definiu o projecto como um processo que consiste na reutilização de resíduos de origem vegetal.
“Quando os resíduos estão em maior quantidade no ambiente causam impacto negativo, uma vez que a sua decomposição descontrolada polui o lençol freático e os solos”, explicou.
No processo, apresentado pela escola, os resíduos orgânicos transformam-se em fertilizantes, que podem ser na área da agricultura, ao passo que a parte que vai ao centro de queima de gás gera energia eléctrica para as comunidades.
Os júris escolheram para o segundo lugar o projecto de reaproveitamento do óleo lubrificante do Instituto Politécnico do Lobito. A estudante Adriana Alberto explicou que, em Angola, o óleo de motor é deitado de forma inadequada. “Este óleo, depois de deitado, causa danos ao meio ambiente e à saúde humana. Por isso, pensamos construir uma estrutura que transformasse este óleo sujo em limpo”, justificou a estudante.
O terceiro lugar foi para o instituto politécnico do Huambo, que desenvolveu calçados para os deficientes visuais poderem orientar-se com segurança na via pública. O sapato, que substitui a bengala, contém um sensor que ajuda a detectar obstáculos e a mudar de direcção em caso de perigo.
A feira de instituições do ensino médio técnico profissional contou com mais de 50 trabalhos, ligados às áreas de electricidade, electrónica, telecomunicações, saúde, mecânica, construção civil, energia e instalações eléctricas, arte e agronomia.