Sociedade

Foi-se “um homem observador que preferia escrever a falar”

Os restos mortais do escritor e antigo secretário-geral da União dos Escritores Angolanos (UEA) António Gonçalves, falecido na madrugada de quinta-feira, em Luanda, aos 60 anos, vítima de doença, foram ontem a enterrar no cemitério de Sant’Ana, em Luanda.

Amigos e familiares despediram-se do poeta. O secretário-geral da UEA, David Capelenguela, em nome da classe, enalteceu os feitos do malogrado, que considerou ter sido “um homem observador, que preferia escrever a falar”.

Além de ser uma pessoa aberta ao diálogo e de fácil comunicação, o malogrado é avaliado, por David Capelenguela, como poeta que estava sempre entre “o intermédio da timidez e humildade”.

“António Gonçalves foi uma pessoa de reconciliação e equilíbrio, que tinha um longo caminho a percorrer no mundo das letras”, lamentou.

Inconsolável estava o escritor e presidente da Sociedade Angolana do Direito do Autor (SADIA), Lopito Feijó. Em poucas palavras, disse que o “país perde um dos melhores escritores da sua época, não apenas pelo seu carácter humanista, mas, sobretudo, pelo conjunto das suas obras, muito lidas no estrangeiro”.

Lopito Feijó disse que a obra de António Gonçalves tornou-se bastante conhecida na América Latina, quando foi conselheiro cultural da Embaixada de Angola em Cuba.

“António Gonçalves, enquanto esteve na diáspora, aproveitou para fazer parcerias e tornar os seus trabalhos conhecidos internacionalmente”, lembrou.

António Domingos Gonçalves nasceu em Luanda, a 10 de Agosto de 1960. Em 1985, terminou o curso pré- universitário. Frequentou, posteriormente, as faculdades de Ciências e Engenharia da Universidade Agostinho Neto. Professor, António Gonçalves leccionou em escolas do I, II e III níveis. O escritor integrou a Brigada Jovem de Literatura, em 1980. Durante dez anos foi conselheiro cultural da Embaixada de Angola em Cuba. Era membro da União de Escritores e Artistas de Cuba.