Sociedade

Progenitores são os que mais praticam violência

Mais de quatro mil casos de violência contra crianças foram praticados, de Janeiro a Novembro, pelos próprios progenitores, denunciou, em Luanda, a ministra da Acção Social, Família e Promoção da Mulher, Faustina Alves.

Falando na quarta-feira numa palestra sobre “O papel do pai na preparação da violência baseada no género”, a ministra da Acção Social, Família e Promoção da Mulher considerou alarmantes os casos de violência contra as crianças, tendo, por isso, solicitado o engajamento dos homens, rapazes e meninos em acções que visam apoiar o equilíbrio de género e na redução dos números.
Faustina Alves referiu que a redução dos números apresentados passa pela adopção de uma postura social positiva, relacionada com a paternidade responsável e espera que encontros do género despertem a sociedade e os pais na assumpção do verdadeiro papel na família, melhorando, deste modo, o processo de educação e socialização.
A responsável do MASFAMU disse acreditar que trabalhar com rapazes e meninas para transformar normas e dinâmicas de poder desiguais constitui um factor estratégico para se alcançar a equidade de género.
As acções do MASFAMU visam gerar transformações a diversos níveis, tais como intervenções em grupo com mulheres e homens, campanhas, metodologias educativas e diálogo com instituições e governos para influenciar políticas e ampliar programas que propiciem mudanças sociais.
Durante o encontro, Faustina Alves referiu ainda que os 16 dias de activismo, "Pelo fim da violência baseada no género no local de trabalho", devem ser transformados em reflexão e busca de soluções para a prevenção contra a agressão à mulher.
A representante do Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP) informou que a Conferência Internacional sobre a População e Desenvolvimento (CIPD) realizada no Cairo, (Egipto), em 1994, vinculou os direitos dos homens e mulheres aos valores e normas relacionadas ao género, que determina o bem-estar das pessoas.
Florbela Fernandes disse que, passados 25 anos desde a realização da Conferência sobre População e Desenvolvimento, os Estados membros reconheceram que, apesar de muitos avanços na área do empoderamento das mulheres, a aplicação da abordagem baseada na igualdade do género em programas de desenvolvimento continua a ser um grande desafio.
A diplomata apontou que a violência contra as meninas e mulheres constitui um acto contra os direitos humanos. Indicou que em todo mundo uma em cada três mulheres é vítima de abuso físico ou sexual, normalmente em ambiente doméstico, familiar ou de uma relação íntima.
A responsável admitiu que a violência baseada no género coloca em risco a saúde, dignidade, segurança e autonomia das vítimas e, muitas vezes, permanece à volta da cultura do silêncio, mesmo sofrendo consequências de vária ordem, incluindo agressões físicas e psicológicas.
A gravidez não planeada, a prostituição forçada, assédio, abuso sexual, infecções sexualmente transmissíveis são outros métodos de violência baseada no género, que acarretam elevados custos sociais e económicos.
"O caminho para a igualdade ero e para o alcance de zero violência baseada no género só será realizado com o envolvimento e engajamento e a participação expressiva de todos, incluindo os pais, homens, jovens e meninos" disse a responsável do PNUD.
O encontro contou com as presenças do deputado Roberto de Almeida, representante da Fundação Sagrada Esperança, e a embaixadora da Suécia em Angola, Lena Sundh.