Sociedade

Visita ministerial renova esperança por dias melhores

A julgar pelo volume de dificuldades, o centro ficou sem efectuar intervenções cirúrgicas durante sete meses, uma situação que fez aumentar o número de crianças com hidrocefalias (cabeça grande) no país, o que chegou a provocar muitas mortes.

Devido à falta de apoio por parte do Estado, e a julgar pelo aumento do número de mortes de crianças com hidrocefalia no país, a direcção do centro optou por uma política de comparticipação das famílias.
Os familiares de doentes passaram a comparticipar com um valor de 150 mil kwanzas por cada operação, mas, mesmo assim, não funcionou, tais são as dificuldades com que se debatem a maioria das famílias angolanas. “Umas chegam a pagar apenas 15, 20 ou 50 mil kwanzas", disse o director-geral  do centro. Mayanda Inocente disse que para ajudar as famílias carentes, a direcção do centro abriu um canal social que atende um a dois pacientes, cujas famílias não dispõem de recursos financeiros suficientes.
Quando o centro começou a funcionar, em 2008, havia estabelecido o atendimento de segunda a sexta-feira, mas as dificuldades levaram os  responsáveis a abortar a ideia. Assim, para evitar a morte de muitas crianças, decidiu-se abrir só às quintas e aos sábados. No primeiro dia consulta-se e no segundo opera-se. Em cada sábado, passam pelo bloco operatório entre sete e oito casos.
Uma semana depois de a equi-pa de reportagem do Jornal de Angola ter estado no centro, uma delegação do Ministério da Saúde liderada pelo secretário de Estado da Saúde para a Área Hospital, Valentim Altino Matias, visitou na sexta-feira última a unidade sanitária, a quem entregou produtos hospitalares, entre os quais medicamentos. O di-rector-geral do Centro de Hidrocefalia, Mayanda Inocente, disse ao Jornal de Angola, num contacto telefónico, que “a visita do secretário de Estado da Saúde para a Área Hospitalar reacendeu a nossa chama da esperança, por termos sentido que daqui para a frente as coisas vão melhorar”.